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terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Benfica que Eu quero - III

O terceiro artigo desta série vai focar-se na gestão do Futebol profissional. E a minha visão, é totalmente oposta à actual (dos últimos anos). A minha visão acerca desta matéria é bastante simples e clara, tendo 3 estratégias base.
1. Primeiramente, proponho uma estrutura bem delimitada e em que cada um tem a sua função especifica sendo claras as obrigações/deveres de cada posto. A estrutura deve ter 3 figuras principais: o Director Desportivo, o Treinador e o Director de Prospecção. Esta mini estrutura funciona em pirâmide com o Director Desportivo no topo. Tanto o Treinador como o Director de Prospecção respondem directamente ao Director Desportivo e este responde directamente ao Presidente do clube (e da SAD).
A análise de quais as competências e deveres de cada um está explicitada abaixo.

  • i) O Director Desportivo é o responsável máximo do futebol profissional. Poderá escolher uma equipa (nunca superior a 5 elementos) para o auxiliar nas suas tarefas, tendo ele a última palavra no que diga respeito a qualquer decisão. Só poderá ser conduzido ou removido do cargo pelo presidente. As suas competências na estrutura passam por:
a. Elaboração de relatórios (mensais?) para o Presidente, com o estado do futebol e possíveis alterações/melhoramentos a fazer na estrutura profissional.
b. Análise ao desempenho mensal do Treinador e Director de Prospecção, bem como dos jogadores. Reuniões programadas(semanais?) com Treinador e Director de Prospecção e contacto permanente com os mesmos para resolução de qualquer problema que surja.
c. Tratamento de dossiers como renovações, contratações, empréstimos, etc.
d. Gestão do orçamento anual atribuído pela SAD (poderá requisitar determinado valor à mesma), que não deverá ser excedido. 
e. Defesa intransigente do clube nos meios de comunicação social em coordenação com o Departamento de Comunicação. A ser preciso alguém falar, é o Director Desportivo que tem essa obrigação.
f. Possível criação de um modelo de jogo único, transversal a todas as categorias de formação e em conjunto com o plantel profissional.
  • ii) O Director de Prospecção é o responsável por toda a gestão da Prospecção do clube. Trabalhará em conjunto com o Treinador e o Director Desportivo na procura de alternativas externas ao Benfica (não tem necessariamente de ser jogadores) em casos de necessidade. As suas competências na estrutura passam por:
a. Gestão do grupo de olheiros disponíveis, com total liberdade para escolher a sua equipa. Neste ponto, deverá no entanto ser regra, que o Benfica apenas terá olheiros benfiquistas.
b. Análise e acompanhamento aos jogadores emprestados pelo clube, com elaboração de relatórios de progressos acerca dos mesmos. Ponto de contacto para os jogadores emprestados em caso de necessidade de resolução de problemas que estes tenham. Comunicação de cada um destes acontecimentos ao Director Desportivo.
c. Elaboração de relatórios de prospecção em relação a jogadores que potencialmente interessem ao clube. Seja a pedido do Director Desportivo ou como parte de uma prospecção geral.
  • iii) O Treinador é o responsável pela parte relativa a treino da equipa profissional. Terá a sua equipa, mas obedecerá ao modelo de jogo implementado, caso exista.
a. Treinar. Única e exclusiva preocupação.
b. Não se envolver em guerrilhas com adversários que desviem o seu foco do ponto a.
c. Gerir o grupo de jogadores disponíveis, mantendo um bom ambiente no balneário.
d. Reunir-se com o Director Desportivo e com o Director de Prospecção sempre que necessário, para resolução de qualquer problema que surja.

2. A segunda estratégia passa por acabar com a rotação excessiva de jogadores no plantel, vulgo entreposto. Temos de criar uma identidade na equipa, de modo a que jogadores novos que entrem, sejam mais rapidamente integrados e familiarizados com a mística do clube.

i) Uma contratação efectuada, só o deverá ser quando o jogador contratado for inegavelmente melhor que o que cá está ou quando for necessário colmatar alguma saída. Temos de acabar com as contratações de ocasião a granel.
ii) A preparação da época, em termos de contratações, deverá seguir a máxima de primeiro resolver as lacunas do plantel e depois melhorar o que existe. Em casos excepcionais, poderão ser contratados jogadores para o futuro, mas deverá ser dada primazia à formação do clube.
iii) O plantel deverá ter sempre participação da formação, principalmente nos lugares menos utilizados. O plantel principal deverá ter sempre pelo menos 5 atletas da formação (ou em alternativa ter a equipa B a fornecer jogadores para essas 5 vagas). Preferencialmente será um por localização no terreno de jogo (1 GR, 1 Defesa, 1 Médio e 1 Avançado) perfazendo 4 jogadores mais um que seja polivalente, podendo suprir mais que uma posição no terreno.
iv) O plantel deverá manter sempre que possível 10 jogadores que estejam no clube há três anos ou mais, e pelo menos 5 que cá estejam há cinco anos ou mais. A tal criação de identidade.
v) Flops acontecem em todo o lado, mas um jogador deverá ter sempre pelo menos uma época para trabalhar e mostrar porque foi contratado. Não podemos ter jogadores que nem sequer chegam a envergar o manto sagrado a coberto de qualquer oportunidade de negócio, pelo menos não nas quantidades actuais.

3. Finalmente, a terceira estratégia passa por criar uma óptica de responsabilização geral no clube, em que todos os membros da estrutura, assumem os seus erros e falhas, de modo a que os mesmos fiquem registados e não se cometam no futuro. Ninguém é perfeito, mas é exigido que quem trabalha no Benfica seja honesto e frontal. Neste caso, o exemplo tem de partir de cima, pois é uma liderança por exemplo que eu exijo ao líder do Benfica. O Presidente e Órgãos Sociais são os exemplos que o resto do clube segue. Se este não estiverem de acordo com a génese do clube, obviamente que a identidade do mesmo se perde.
Digo mais, os dirigentes do clube sempre foram membros inspiradores dos restantes elementos. Nunca foram precisos magos do que quer que seja, mas sim gente honesta e trabalhadora com o melhor para o clube em mente. Urge regressar a esse tempo!

1 comentário:

  1. Subscrevo a 90 e muitos por cento.

    Acho que um treinador, pode e deve identificar lacunas de acordo com a aplicação de um modelo e a menos que tenhas um treinador durante 20 ou 25 anos, tipo Ferguson, o modelo de jogo irá mudar, foi assim no Ajax, o 3-4-3 não é uma constante ao contrário do que se faz passar, como a escola Guardiola não é interpretada pelo Tito da mesma forma, o que faz que treinadores diferentes necessitam de jogadores diferentes e um treinador que goste de futebol conhecerá atletas que identificará com facilidade que se podem enquadrar nas suas ideias tácticas.

    De resto acho uma boa proposta de trabalho, mas atenção, hoje em dia existem técnicos de diferentes especialidades que muitas vezes acompanham os treinadores, portanto deveremos ter em atenção que a formação de uma equipa de trabalho técnica, é mais do que um treinador de futebol.

    Quanto ao ponto 3 concordo integralmente, o exemplo em qualquer organização vem sempre de cima e lamento dizer que actualmente os exemplos são pobres, muito pobres.

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