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quinta-feira, 8 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 10

Hoje inicia-se uma rubrica aqui no blog, dividida em 10 partes, onde se tentará analisar o que tem estado mal na gestão de Vieira à frente do Benfica e em como isso afectou o clube. Tentar-se-á também apresentar uma ou mais soluções para o problema descrito e os possíveis benefícios que dai advirão. A rubrica terá o formato de contagem decrescente em termos de importância do problema (do menos importante para o mais importante). De referir, que esta listagem está de acordo com a minha convicção pessoal. Para outros benfiquistas, até pode ser que alguns dos problemas não sejam de todo importantes ou que a sua importância relativa seja diferente.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em décimo lugar:  Mistura de Amizades pessoais  com a Defesa do clube.

É por demais evidente, o dano que nos causam as amizades pessoais de Vieira. Antes de chegar ao Benfica, pela mão de Vilarinho, Vieira era várias vezes visto na companhia de gente muito poderosa no futebol nacional.  Chegou mesmo a fomentar uma grande amizade pessoal com Pinto da Costa e a frequentar amiúdes vezes o Estádio das Antas, no auge dos anos 90. Nessa altura, era amigo pessoal de pessoas como Valentim Loureiro ou Pinto de Sousa, que posteriormente estariam envolvidos no processo Apito Dourado, e dirigia com bastante sucesso o FC Alverca (sobre o qual disse numa entrevista ter entrado por brincadeira).
Mais recentemente, as amizades com António Salvador, Joaquim Oliveira ou Enrique Cerezo, têm tido um impacto bastante negativo para os adeptos. Por vezes o discurso de Vieira, aquando de acontecimentos marcantes, parece focar-se mais para não perder as amizades pessoais do que para defender os interesses do Benfica. Foi assim nos casos em Braga, onde por mais de uma vez o presidente fez questão em separar Salvador dos actos dos adeptos/clube. Foi assim nos vários casos Olivedesportos/SportTv onde também por mais de uma vez, o presidente fez questão de nos lembrar que Joaquim Oliveira nos ajudou quando necessitámos. Os negócios com o Atlético são também eles, verdadeiros mistérios, que pessoalmente não consigo decifrar.
Existem ainda os negócios pessoais e amizades na América do Sul e em África. Em não raras ocasiões, já o nosso presidente foi a cada um destes continentes tratar de assuntos pessoais, negócios, homenagens, etc, com o clube a precisar desesperadamente de liderança. Não tenho dúvidas de que no dia em que abandonar a presidência do clube, Luis Filipe Vieira terá as suas amizades intactas.

O impacto destas prioridades trocadas no clube, tem sido em minha opinião, péssimo. Dá-me a impressão que Vieira vê o Benfica como um suporte para a sua ambição pessoal. É verdade que ser presidente do maior clube português lhe dá algumas dores de cabeça, mas também lhe abriu portas que a titulo individual lhe estariam sempre fechadas. Em suma o Benfica "paga" a factura de não ser a coisa mais importante na mente do seu presidente. Os adeptos, esses, sentem-se algo traídos por isto. Quem nos devia defender, limita-se a não levantar grandes ondas e os visados sentem que podem fazer algo mais para nos prejudicar, pois o presidente não vai dar o murro na mesa.. É triste!

A solução para este problema é óbvia e simples. Tão simples, que custa a entender como não é posta em prática sempre. Bastaria uma rectidão moral elevada, para que "os amigos" não estivessem acima da justiça.  O benefício disto é, também ele, óbvio. Os visados, não só não brincariam com o Benfica, como fazem actualmente, mas também me parece que o próprio Benfica seria mais respeitado.