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segunda-feira, 14 de maio de 2012

O fracasso de Vieira - 1


A rubrica final de "O fracasso de Vieira", foca-se na dicotomia entre discurso e acção ao longo dos anos. Geralmente o que o Benfica faz, entra em contradição com o que diz.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em primeiro lugar: Discurso/Acção

O Benfica de Vieira é useiro e vezeiro em falar fora de tempo e contrariametne à sua acção (anterior ou posterior). É um mal de que padecemos e não parece haver meio de nos livrarmos dele. Muitas vezes a resposta certa no tempo certo é a diferença entre ganhar ou perder. A este respeito lembro-me sempre da famosa interpelação de Luis Duque a um árbitro acerca de um almoço. Não foi antes nem depois. Remédio santo.
Infelizmente para nós, podia aqui citar múltiplos casos onde isto se passou. Fico-me pelos casos que me merecem mais consternação.

À cabeça vem sem quaisquer dúvidas, os apoios a corruptos. Quando uns anos antes, Vieira foi um dos maiores impulsionadores do Apito Dourado, estava longe (muito longe mesmo) de imaginar que algum dia viesse a apoiar corruptos para cargos de poder. O facto é que apoiou inequivocamente Fernando Gomes duas vezes. Incompetência? Ingenuidade? Tentativa de ganhar o controlo do Sistema? Não o sei dizer e isso aflige-me mais, pois nunca sei o que vamos fazer. 

Quando em Setembro de 2010, a direcção se reuniu com alguns benfiquistas e decidiu emitir um manifesto com alguns pontos guiadores da acção encarnada, foi notória a tentativa de passar a mensagem de que o Benfica estava atento ao que se estava a passar (com o seu apoio não esquecer). No entanto, uma liderança forte faz-se de exmplos e nessa altura a nossa liderança fez-se pelas palavras e não pelas acções. Enquanto a direcção pedia aos adeptos para boicotarem os terrenos alheios de equipas conotadas com o sistema, passeava-se alegremente pelos camarotes desses estádios. "Se os lideres lá vão porque que raio devem os adeptos boicotar?" foi o que devem ter pensado muitos.

O nosso departamento de Comunicação é sempre lesto a vir defender o presidente, mas parece que tem dificuldade em defender o Benfica. Já perdi a conta às vezes em que nos suspenderam as acções em bolsa sem que sigam critério igual para os nossos adversários. Ao invés de denunciarmos isto, fazemos negócios como o de Roberto que dão azo a que nos penalizem ainda mais. ...

A gestão dos silêncios é também ela quase anedótica. Enquanto estamos a ser roubados jogo após jogo, os dirigentes e departamento de comunicação estão calados. Quando já não há possibilidade de recuperarmos, disparam tiros de pólvora seca nas mais variadas direcções. É assim há vários anos.

Quais os custos disto para o clube? 
Em primeiro lugar é o descrédito completo. Não só perante os benfiquistas, como perante quem "governa" o futebol. Passa-se a ideia de que tudo é possível fazer, que o Benfica não se revoltará contra isso (pelo menos não na verdadeira acepção da palavra revolta). Passa-se também a ideia de que há um certo comprometimento que nos impede de falar atempadamente. 
Em segundo lugar, desvia o clube do seu rumo, pois quando somos atacados de todas as formas e feitios, ao não nos "defendermos" (ou defendendo-nos do ataque errado), interiorizamos que não é possível combater quem nos ataca e instala-se um sentimento de desresponsabilização em todos. Quando falamos a destempo, soa sempre a desculpas esfarrapadas embora tenhamos na maior parte dos casos muita razão. E novamente, quando as nossas queixas soam a desculpas o sentimento de desresponsabilização apodera-se do clube e instala-se a cultura derrotista que, fazendo jus ao nome, impede que os nossos profissionais apareçam nos momentos adversos em grande plano. Tantos e tantos casos em que se tivéssemos a mentalidade certa, os resultados seriam bastante melhores (e isto apesar dos factores externos).

O que fazer para solucionar isto? É tão fácil que me magoa que não o façamos. Fazer com que as nossas acções sigam as nossas palavras. 
Dando dois exemplos:
1. Se o Benfica é prejudicado fortemente por um Sistema corrupto (e nos queixamos muitas vezes com razão), não se apoia ninguém desse sistema para cargos de poder. E mais, parte da nossa comunicação coloca um forte foco no passado desse(s) antigo(s) membro(s).
2. Se afirmam à boca cheia que o descarregamento de jogadores no Benfica acabou (quase todos os anos se diz isso) então aja-se em conformidade, e acabe-se de vez com o entreposto.

Quais os beneficios de uma politica de "acção segue o discurso"? Antes de tudo é a coerência. A coerência que permite um ataque eficaz e uma defesa certeira de quem não está comprometido ou desresponsabilizado. Dou o exemplo do Ricardo Araújo Pereira nas suas crónicas para o jornal A Bola. A coerência era a sua grande imagem de marca (ainda mais que o humor, em minha opinião). Era frequente vê-lo apontar as incoerências de outros colunistas (e por conseguinte gozar autênticamente com eles), mas o contrário nunca aconteceu. Porque não podia acontecer. E se hoje a sua opinião é muito valorizada pelas pessoas, é também porque nunca perdeu a sua coerência.

Em minha opinião, um Benfica coerente no discurso e na acção, é um Benfica a fazer frente aos poderes instalados que tudo fazem para que não tenhamos sucesso. Como sempre foi nosso apanágio em outras épocas, contra outros ataques. É um Benfica a responsabilizar-se a si próprio e a outros, atribuindo a responsabilidade (pelo bom e pelo mau) a quem de direito de forma coerente.
É acima de tudo o resto, um Benfica à Benfica.


sábado, 14 de abril de 2012

O fracasso de Vieira - 2


A rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", foca-se nos apoios indevidos na Federação Portuguesa de Futebol. Considerando quem se encontra em cargos de poder na Federação, desde que Vieira é presidente (2003), e que o mesmo Vieira foi um dos principais impulsionadores do processo Apito Dourado (através de palavras), é deveras estranho verificar a cadeia de apoios que foi dando ao longo destes anos, a quem manifestamente não os podia ter.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em segundo lugar: Apoios indevidos na Federação Portuguesa de Futebol

Este, quase podia ser uma cópia do texto que escrevi para o ponto 4 desta lista. Na realidade o problema é basicamente o mesmo, mas com um detalhe muito importante, que torna estes sucessivos apoios ainda mais penalizadores para o clube. Qualquer decisão "importante" tomada pela Liga de Clubes é passível de recurso para a Federação. Além de que, é a Federação que nos representa nas instâncias europeias.

Quando Luis Filipe Vieira chegou à presidência do clube, era Gilberto Madail o presidente da Federação. Todos devem saber o percurso extremamente sinuoso, que pautou a sua presidência à frente do órgão federativo. Desde a sua entrada em 1996, os casos federativos foram mais que muitos, podendo eu citar, os casos de 2002 no mundial do Oriente e 2008 no Europeu, a vergonhosa atitude do "representante" federativo na UEFA aquando do processo ao FC Porto (em que o mesmo mentiu descaradamente sem que ninguém lho apontasse). Durante a regência deste individuo o Benfica foi sempre marginalizado tanto em decisões como em tratamento desigual. No entanto, e para espanto de muitos, nunca nos insurgimos contra isso. Aliás, era frequente o presidente Luis Filipe Vieira e o presidente Gilberto Madail andarem juntos e estarem de acordo em muitos e variados temas. Acho que quase todos os benfiquistas tinham a visão correcta de quem foi Gilberto Madail: um banana mais preocupado em manter o lugar e o tacho do que em resolver quaisquer problemas do futebol. A sua subserviência aos poderes instalados neste mesmo futebol levaram muitas vezes a decisões inacreditáveis.
Não contente com isto, ainda se dá ao luxo de apoiar o Fernando Gomes que assim que viu o poder sair da Liga meteu mãos à obra. E com Fernando Gomes, vieram mais uns quantos desses indivíduos que só querem manter o "status quo". Para já e em apenas 4 meses de mandato, já começámos a sentir na pele os efeitos de tão declarado apoio.

Qual o impacto para o Benfica? Como já adiantei em cima, é mais do mesmo, com a agravante de que na Federação, as decisões se revestem de carácter decisivo. O Benfica, pela voz do seu presidente, ao mostrar apoio a quem não deve, está na práctica a validar tudo o que esses indivíduos possam fazer. Os "choros" que se façam após o leite derramado, são tão inúteis como desmoralizados.

Tal como na questão dos apoios para a Liga, aqui a solução é simples. Não apoiar pessoas de mau carácter para cargos de decisão. Veja-se o que o individuo Herculano Lima fez em relação a Aimar.

Já é tempo do Benfica se libertar destes autênticos sanguessugas do futebol português. E quando digo libertar, é não só não apoiar, como denunciar. Vivemos numa republica das bananas mas escusamos de pactuar com ela.

Índice:
Em décimo lugar: Mistura de Amizades pessoais com a Defesa do clube
Em nono lugar: Delapidação dos Valores do Clube
Em oitavo lugar: Introdução de Corpos estranhos ao Clube
Em sétimo lugar: O Sebastianismo
Em sexto lugar: O Descontrolo Financeiro
Em quinto lugar: A Instabilidade Governativa
Em quarto lugar: Apoios indevidos na Liga Portuguesa de Futebol Profissional
Em terceiro lugar: O Entreposto de jogadores

sábado, 31 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 3


A rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", foca-se na constante destruição e construção de plantéis. Não tendo esta forma de trabalhar começado nos mandatos de Vieira, é inegável que este não conseguiu trazer outra filosofia ao modo do Benfica atacar o mercado de jogadores.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em terceiro lugar: O Entreposto de jogadores

Contando com os anos em que foi Director Desportivo do Clube (2001-2003), entraram no Benfica mais de 150 jogadores. Vou repetir: 150 jogadores!!! Não é brincadeira nenhuma e o custo é elevadíssimo, não só para os cofres do clube como para o nível da própria equipa. No consulado de Vieira, apenas um treinador não teve remodelações extremas na equipa. Foi José António Camacho em 2003, tendo o Benfica contratado "apenas" 5 jogadores. Nos outros anos (este incluido), é sempre de 10 para cima. Qual a justificação para se contratarem um mínimo de 10 jogadores por ano? Eu não consigo compreender a razão principal por detrás disto.

  • Posso tentar argumentar que é por possibilitar tempo de ambientação aos jogadores para serem futuramente integrados no plantel. Na prática, andam de empréstimo em empréstimo até saírem por verba irrisória ou a custo zero.
  • Posso tentar argumentar que são na maioria, jovens promissores que temos de ir buscar antecipadamente senão não os poderemos ter (o caso mais flagrante é o de Rodrigo). Na realidade para termos um Rodrigo, temos de ter em média uns 5 Fernandéz. 
  • Posso tentar argumentar que os que temos não servem e tem de se melhorar certas posições. Na realidade, seja por falta de qualidade ou por serem tão bons que saem por verbas astronómicas, a verdade é que nunca o Benfica colmata todas as deficiências dos seus plantéis, esbanjando dinheiro em jogadores para emprestar.
  • Posso tentar argumentar que cada treinador tem os seus preferidos e que a constante mudança de técnico ajuda a este re-organizar do plantel. Na realidade temos Jorge Jesus há já três temporadas e desde que este entrou contrataram-se pelo menos 45 jogadores. Dá 15 por ano...

Para terem uma ideia do que escrevo, vejam em baixo uma lista de contratações desde que Vieira entrou no Benfica (época 2001-2002)

2001/2002 - (20) - Quim Berto, Argel, Cabral, Júlio César, Marco Caneira, Emanuele Pesaresi, João Manuel Pinto, Armando Sá, Andersson, Zlatko Zahovic, Ednilson, Fernando Aguiar, Andrade, Tiago, Mantorras, Ljubinko Drulovic, Simão Sabrosa, Tomo Sokota, Hugo Porfírio, Jankauskas
2002/2003 - (11) - Cristiano, Éder, Hélder, Ricardo Rocha, Eduardo Simões, Peixe, Petit, Geovanni, Carlitos, Nuno Gomes, Miki Fehér
2003/2004 - (5)  - Zach Thornton, Luisão, Fyssas, Fernando Aguiar, Alex
2004/2005 - (16) - Quim, Yannick, Amoreirinha, Alcides, Manuel dos Santos, André Luís, Paulo Almeida, Petit, Nuno Assis, Everson, Carlitos, Azar Karadas, Andrija Delibašic, Ze Rui, Manú, Rodolfo Lima
2005/2006 - (15) - Marcelo Moretto, Anderson, Léo, Nélson, Giorgos Karagounis, Beto, Andrei Karyaka, Marco Ferreira, Laurent Robert, Marcel, Gustavo Manduca, Fabrizio Miccoli, Jose Fonte, Inzaghi, Artur Futre
2006/2007 - (10) - Miguelito, David Luiz, Katsouranis, Rui Costa, Kaz Patafta, Diego Souza, Nicolas Canales, Paulo Jorge, Kikin Fonseca, Derlei
2007/2008 - (19) - Butt, Halliche, Luis Filipe, Edcarlos, Stretenovic, Zoro, Sepsi, Wagner Silva, Maxi Pereira, Andres Diaz, Fabio Coentrão, Bynia, C. Rodriguez, Cardozo, Bergessio, Di Maria, Adu, Makukula, Jailson
2008/2009 - (12) - Jorge Ribeiro, Sidnei, Aimar, Balboa, Filipe Bastos, Amorim, Carlos Martins, Yebda, Reyes, Urreta, Suazo, Ivan Santos
2009/2010 - (14) - Julio Cesar, Patric, Shaffer, Peixoto, Airton, Javi Garcia, Ramires, Filipe Menezes, Keirrison, Weldon, Saviola, Kardec, Eder Luis, Leandro Silva
2010/2011 - (12) - Roberto, Oblak, Fabio Faria, Carole, Jardel, Salvio, Gaitan, Fernandez, Jara, Elvis, Rodrigo, Alipio
2011/2012 - (19) - Artur, Mika, Eduardo, Emerson, Wass, Garay, Andre Almeida, Capdevila, Bruno César, Nolito, Nuno Coelho, Matic, Witsel, Enzo Perez, Rodrigo Mora, Melgarejo, Leo Kanu, Rafael Copetti, Yannick Djaló

Acho até que faltam aqui alguns nomes, que por serem tão desconhecidos e nunca terem sequer treinado no Benfica, escaparam... No total apontei 153 jogadores contratados. É demasiado por qualquer ponto de vista que se tenha.

Contratações de "Vieira"

Acho que é para todos óbvio o impacto que isto tem. Não só em termos financeiros, com os consequentes custos de compra, salários, rescisões, etc, como também em termos desportivos, tendo a grande maioria destes jogadores saído ao fim de um ano ou menos. Muitos deles nem 20 jogos fizeram ao serviço do Benfica. Contratações como as de Porfirio, Eduardo Simões, Peixe, Zach Thornton, Ze Rui, Amoreirinha, André Luiz, Everson, Delibašic, Rodolfo Lima, Marco Ferreira, Robert, Patafta, Canales, Patric, Jorge Ribeiro, Jailson, Fábio Faria, Elvis ou Fernandez eram à partida operações falhadas que em nada vinham melhorar a respeito de plantel principal. Não as posso categorizar como flops, pois para isso teria de ter expectativas em relação e eles. Outra contratações, como as de Leo Kanu, Alipio, Mika, Oblak, Rodrigo Mora, Andres Diaz, Sepsi, Marcel ou Yannick, são numa perspectiva de não sei bem o quê. Reforçar o plantel principal não foi de certeza. 
Em todas estas contratações que referi (e noutras), existe um problema fundamental: a completa falta de prioritização em relação ao plantel principal e à resolução das suas lacunas e falhas. Dando dois exemplos claros:
  1. Quando Ramires saiu do Benfica, ficou uma lacuna grave no plantel. Em vez de se garantir a contratação de um médio de caracteristicas semalhantes, porque mantendo-se o treinador, o esquema de jogo não iria sofrer alterações, optou-se por esbanjar dinheiro em contratações de avançados. A meio do ano, e vendo que a equipa estava orfã de um jogador no miolo (também pelas constantes lesões de Amorim), entendeu-se não solucionar este problema, e contrataram-se um defesa esquerdo, um central (para suprir a saida de David Luiz) e um extremo esquerdo.
  2. Desde o tempo de van Hooijdonk, que o Benfica precisava urgentemente de um homem de área. Um matador que fizesse golos. Alguém que independentemente do estilo, metesse a redondinha no fundo das redes. Andámos desde 2001/2002 orfãos de um jogador destes. Apenas o contratámos em 2007/2008. Foi a segunda contratação mais cara do clube (atrás de Simão Sabrosa) mas os resultados estão aí. Cardozo é hoje a ponta da lança apontada à baliza adversária. É já o melhor marcador estrangeiro do clube e vai golo após golo cimentando a sua posição entre os maiores de sempre. Para terem uma ideia ficam aqui os nomes dos avançados contratados (nunca por mais de 5M€) até chegar Óscar Cardozo. Mantorras, Sokota, Jankauskas, Nuno Gomes, Fehér, Karadas, Delibašic, Marcel, Miccoli, Kikin Fonseca, Derlei. Convém referir que o melhor da lista, inegavelmente Miccoli, nunca foi jogador do Benfica, tendo sido emprestado dois anos consecutivos pela Juventus de Itália. 

A solução para mim é óbvia. Deixar de contratar por contratar, mas focar-se em suprir lacunas do plantel principal, ou melhoramentos no que existe, antes de se virar para oportunidades de negócio (e apenas se houver disponibilidade financeira grande para tal). 
No ínicio de cada época seria feita a avaliação do plantel, sendo naturalmente encontradas as posições onde fomos mais fracos durante a época anterior. Este processo nunca poderia ser exclusivamente do treinador, mas deveria também envolver o nosso departamento de prospecção (com um grupo de olheiros disponível para visualizar todos os nosso jogos da época - acho que umas duas semanas bastariam para isto) e o Director Desportivo.
A partir daqui, e de acordo com a capacidade financeira da altura, seria o validar das opções disponiveis (através de visionamento ao longo da época anterior ou de relatórios compilados anteriormente) e as necessidades mais prementes. As posições onde tivessem sido identificados os maiores problemas e maior urgência de solução, seriam as primeiras a ser colmatadas. Depois viriam as restantes posições e só após estas, viriam as contratações de futuro. E seguindo um pormenor importante, nunca desprezar o valor da formação.
Tendo um plantel cerca de 25 jogadores, sou da opinião que pelos menos 5 dessas vagas deveriam ser ocupadas por jogadores da formação. Fazem o mesmo trabalho, não há encargos com contratação e têm em média salários mais baixos. Mesmo que estes tivessem sido emprestados anteriormente. Para jogos de menor rotação competitiva, tais como as primeiras eliminatórias da Taça de Portugal ou na Taça da Liga, estes jogadores seriam soluções mais que perfeitas. 
Nas restantes 20 vagas, seria de extremo valor que pelo menos 10 jogadores tivessem 3 ou mais anos de Benfica. Para passar aos que entrassem, a camaradagem e mistica encarnada que não se aprende ao fim de um ou dois anos. Estes seriam o núcleo duro do plantel e parece-me a mim que transmitiriam uma mensagem importante aos outros, servindo como aglutinadores do balneário.

Em traços gerais, o término do entreposto de jogadores, traria imensos beneficios ao Benfica. Menos massa salarial e encargos financeiros com contratações, libertando dinheiro para abate de passivo. Menos jogadores completamente alienados do clube, que por vezes nunca chegaram a vestir a nossa camisola. Mais focagem nos problemas internos do plantel, sendo que embora nunca se consiga acabar com os flops, estes seriam em muito menor quantidade. Aumento gradual da qualidade intrinseca do plantel e da sua capacidade de fazer face à adversidade interna (nomeadamente do campeonato português). A chamada experiência competitiva.

Para finalizar, queria só deixar aqui uma frase de José António Camacha que no fundo simboliza o que preconizo. A mesma foi dita muita vezes por ele enquanto treinador do Benfica.
Para se contratar é preciso que os que vêm sejam melhores que os que cá estão.

quarta-feira, 28 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 4

A rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", foca-se nos apoios indevidos na Liga Portuguesa de Futebol Profissional. E foram muitos, desde presidentes da Liga a membros do Conselho de Disciplina ou Arbitragem.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em quarto lugar: Apoios indevidos na Liga Portuguesa de Futebol Profissional 

O caso mais paradigmático aconteceu em Maio de 2010, com o surpreendente apoio público de Luis Filipe Vieira a Fernando Gomes. O ex-Vice Presidente da S.A.D. portista "saiu em conflito" com Pinto da Costa cerca de 3 meses antes, numa clarissima estratégia de não ser conotado com o Porto aquando da sua candidatura à presidência da Liga, mas essa estratégia foi suficiente, para Luis Filipe Vieira cair no engodo de apoiar tal sumidade "facturadora" e meter-se a jeito do que se viria a passar depois.
Mas não foi só Fernando Gomes que mereceu o apoio do nosso presidente. Também Valentim Loureiro recolheu sempre o apoio de Vieira. Mesmo vendo-se envolvido até ao pescoço em trapaça, corrupção, coacção, tráfico de influências, etc, nunca deixou de ter o apoio "encarnado", muitas vezes manifestado nas piores alturas.
É, para mim, um caso patológico, este constante apoio a corruptos e individuos de qualidade moral duvidosa, para cargos de poder decisório no futebol Português. Porque não só os chefes de fila são pessoas nada confiáveis, mas os "sombras" que pululam as esferas inferiores, são ainda piores. E mesmo sabendo disto, o Benfica, na voz do seu presidente, põe-se sempre a jeito de ser pisado, humilhado e roubado por parte de quem sempre apoiámos.
O facto de nos afastarmos do Sporting, precisamente quando Dias da Cunha meteu os "nomes nos bois", é sintomático disto. Numa altura, em que Benfica e Sporting podiam (e deviam) ter lutado juntos pela total transparência e regeneração do futebol português, Vieira simplesmente abandonou Dias da Cunha à sua sorte. Não foi à Benfica. Aliás em matéria de apoios institucionais, Vieira nunca foi (e arrisco a dizer que nunca será) à Benfica. Parece até que tem algo a proteger, que não pode por em risco com uma afronta muito directa aos poderes vigentes.
Curiosamente, Herminio Loureiro, que não foi apoiado por Vieira (até ameaçou não participar na então recém criada Taça da Liga), foi o que mais fez pela credibilização do futebol, com algumas decisões que mudaram por momentos o panorama do futebol português. Com erros é certo, mas no caminho de mudar esta fossa séptica a que chamamos futebol português. Por momentos, pensou-se que o caminho para a regeneração estava aberto, mas foi sol de pouca dura.

O impacto destes sucessivos apoios é demasiado alto, para alguém ficar indiferente. Nas alturas de decisão há sempre aquele factor extra que nos empurra para baixo, seja em termos de arbitragens corruptas, seja em termos de decisões polémicas contra nós, castigos cirúrgicos, etc. Qual o benfiquista que não se lembra de jogos como muitos no Dragão, em que a nossa equipa é simplesmente impedida de jogar? Este ano valeu-nos o boato do observador da UEFA, pois senão era mais do mesmo. Qual o benfiquista que não se lembra dos castigos ridiculos aos nossos jogadores, enquanto os Jorges Costa e Brunos Alves desta vida se passeiam impunemente em campo, distribuindo porrada em tudo o que mexe? Qual dos benfiquistas não se lembra dos castigos recorrentes por comportamento incorrecto dos nossos adeptos, quando do outro lado há cargas policiais, bolas de golfe ou mesmo galinhas? Ou dos casos recorrentes em matéria de árbitros irem para a "Jarra" depois de apitarem jogos do Benfica? Relembro que tudo isto, acontece com o nosso silêncio e apoio cúmplice.

A solução para este problema crónico é a simples renúncia a apoiar corruptos para cargos de poder. O Benfica não pode ser cúmplice com isto. Apoios a gente que está mais que provado factualmente, que não gosta de nós e que só nos quer ver em baixo, que não descansará enquanto não nos vir a definhar, que tudo fará por isso, simplesmente não podem acontecer. O Benfica sempre foi um clube de respeito e integridade, mas que sempre se deu ao respeito. Os seus presidentes sempre se pautaram por um intrasigente amor ao clube e por uma conduta moral acima dos outros. Nunca se arrogaram de perfeitos, e com as suas falhas inerentes, souberam lutar com honra e dignidade contra as injustiças.

Quais os beneficios desta solução? Simples. O Benfica pode virar a mesa e atacar quem deve ser atacado. Não dar tréguas, a quem nesta altura se passeia alegremente nos meandros do futebol, sem ninguém a questionar minimamente os passos e acções tomadas. Sem medo de ser conotado com cumplicidade pode ser a oposição clara a este tipo de coisas, que foi sempre o seu maior trunfo em Portugal e causa do seu massivo apoio popular. O maior problema destes corruptos é a possibilidade de se fazer luz sobre os crimes cometidos. O Benfica é forte, todos o sabem. Se soubermos usar essa força como forma de oposição, então tornaremos as coisas muito mais dificeis para quem quer subverter as regras do jogo. E dificultando-lhes o trabalho, facilitaremos a nossa própria tarefa, pois as dificuldades externas não se farão sentir com tanta intensidade.


Índice:
Em décimo lugar: Mistura de Amizades pessoais com a Defesa do clube
Em nono lugar: Delapidação dos Valores do Clube
Em oitavo lugar: Introdução de Corpos estranhos ao Clube
Em sétimo lugar: O Sebastianismo
Em sexto lugar: O Descontrolo Financeiro
Em quinto lugar: A Instabilidade Governativa

quinta-feira, 22 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 5


A rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", centra-se na instabilidade governativa que já de há muitos anos a esta parte grassa no Benfica. Infelizmente, Luis Filipe Vieira não conseguiu inverter esta tendência a tempo.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em quinto lugar: A Instabilidade Governativa

A instabilidade governativa no Benfica tem sido um dos grandes males do clube em anos recentes, com foco evidente nas decisões que se tomam ao sabor da maré. A incapacidade de conciliar os assuntos do clube com ambiçóes pessoais/profissionais, dos vários membros das várias direcções do clube, levou a que alguns deles, saissem incompatibilizados ao longo dos anos. Gerou-se o navegar à vista, ao sabor das marés vindas de quase todos os quadrantes, que proporcionaram enúmeros episódios rocambolescos, com alguns indivíduos a ganharem um protagonismo que não deviam nunca ter tido. Claro que este navegar à vista, levou imensas vezes a que quem se situa abaixo na estrutura (staff técnico, de suporte e plantel) fosse substituido sem razão aparente e/ou com grave prejuizo para o clube. As mudançãs anuais em treinadores, directores desportivos, directores de formação, jogadores, gestores, etc, não só geraram os famosos anos Zero ou novos ciclos (a cada nova época), como implicaram avultados investimentos na substituição de vários elementos da estrutura encarnada. 
Claro que muitas vezes, as pessoas contratadas e/ou eleitas não tinham, pura e simplesmente, qualidade para representar o Benfica. E aqui nada havia a fazer, senão a sua eventual  remoção do clube. Houve no entanto, muita gente capaz a ser trucidada por esta instabilidade. Dando exemplos, temos casos como o de Mário Dias (que saiu do Benfica após a conclusão do Estádio para tratar dos seus negócios em África), Trapattoni (que não foi possível segurar no comando técnico da equipa), António Carraça (que já é a segunda vez que trabalha no Benfica, tendo na primeira vez saído ingloriamente) ou José Veiga (que saiu por vontade própria devido a problemas judiciais e se transformou num acérrimo opositor do presidente).
São apenas alguns casos do bom e mau que passou pela Luz.

O grande impacto deste processo destrutivo é, para mim, a perda de mistica encarnada (não se pense que são apenas os jogadores que carregam a mesma) a que corresponde um desresponsabilizar dos elementos de topo, porque simplesmente as pessoas não ficam tempo suficiente nos lugares, para poderem receber e passar essa mistica. Outro dos impactos negativos é inabilidade completa de levar projectos até ao fim, com a consequente falta de resultados que isso acarreta. Muda-se tudo a cada novo ciclo, quando é já de senso comum, que um projecto necessita de algum tempo a dar resultados (mais ou menos consoante a capacidade de quem executa). O maior problema é a mudança radical a 180º.  Porque apesar de tudo o que é mal feito, existem sempre coisas bem feitas e que devem merecer continuação.
Isto leva, naturalmente, a que as pessoas que vêm trabalhar para o Benfica, se desliguem um pouco do clube à medida que os "empregos" se tornam cada vez mais temporários e voláteis. As decisões são quase sempre a pensar no imediato, muitas vezes sem se ponderarem as consequências graves que implicam, o que é compreensível face à necessidade de resultados imediatos. E com cada mudança sistemática, mesmo após resultados satisfatórios, vem a gradual redução de espectativas e exigência. É o que atravessamos neste momento, uma baixa histórica de espectativas e exigência (e contra mim falo às vezes). 

A solução para isto, passa não por mudar radicalmente, mas sim por melhorar gradualmente, o que não está bem (claro que eu gostaria que se mudasse tudo o que está mal imediatamente, mas compreendo que isso simplesmente não é possível). A mais valia inerente é a aprendizagem com os erros, que traz mais estabilidade (não na mediocridade) a quem governa, pois é para mim óbvio, que com os erros se aprende muito. Aparentemente, em algumas matérias ainda não errámos o suficiente para aprender. Isto não se faz em um mês ou num ano, mas após quase 9 anos e com múltiplos exemplos anteriores do que não fazer, considero que não estiveram à altura nesta matéria. Outra mais valia, é que não se perde o que de bom existe, melhora-se o mau. E assim crescemos.

Felizmente que este processo parece ter sido estancado (ou pelo menos amenizado) nos últimos dois anos, podendo eu esperar que nos próximos anos, consigamos ver alguns resultados positivos, de uma maior estabilidade governativa que temos. Neste caso, parece-me a mim, que as pessoas estão nos lugares certos e com competências e liberdade para executarem o seu trabalho. A menos que se regresse ao tempo dos novos ciclos (e os resultados desta época ditarão muito nessa matéria), podemos aspirar a lutar pelos títulos até final sempre. Neste ponto, acredito que começámos a resolver os nossos próprios problemas ao invés de escolher única e exclusivamente, atirar pedras sobre inimigos externos. Assim continuemos.


Índice:
Em décimo lugar: Mistura de Amizades pessoais com a Defesa do clube
Em nono lugar: Delapidação dos Valores do Clube
Em oitavo lugar: Introdução de Corpos estranhos ao Clube
Em sétimo lugar: O Sebastianismo
Em sexto lugar: O Descontrolo Financeiro

sábado, 17 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 6


Na rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", é o aspecto financeiro que domina atenções. Se por um lado o Benfica tem crescido muito, por outro esse crescimento fica em grande parte a dever-se aos bancos.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em sexto lugar: O Descontrolo Financeiro

  • 15.565.841 € / 99.312.450 € (Activo/Passivo do Clube)
  • 411.298.443 € / 403.719.741 € (Activo/Passivo da S.A.D.) 

Como se chegou a esta situação?

  1. Contraindo empréstimos (ou mecanismos equivalentes) para pagar empréstimos a vencer, a custos superiores.
  2. Desperdiçando valiosos recursos em contratações de "ocasião".
  3. Não poupando recursos em anos bons, para suportar os prejuízos dos anos maus. Vulgo Chapa ganha, Chapa gasta.
Algumas notas sobre os três pontos acima descritos:

i) Na época 2010/2011, a S.A.D., no seu Relatório & Contas anual, apresentou custos com financiamento que ascenderam a 18.726.308,00€ no total. São mais de 18M€ gastos nesta altura. Destes, 13.344.939,00€ (13M€) são directamente atribuídos a custos com juros. Como é obvio, isto é incomportável para um clube como o Benfica. Não só nos impede de canalizar algumas verbas das receitas para áreas onde esses fundos são necessários, como nos impõe uma ditadura bancária, com muitos empréstimos a serem renovados automaticamente (a custos superiores) porque o Benfica não tem capacidade de os pagar a tempo e horas, o que cria o chamado efeito bola de neve. Exemplificando o que digo:
Custos com financiamento
Mesmo admitindo que alguma parte destes valores pós 2009, são devidos a financiamento do Estádio, não deixa de ser preocupante e sintomático o rumo que estamos a levar.


ii) Os empréstimos que o Benfica tem ainda por pagar ascendem a cerca de 260M€ (259.969.059,00€), segundo informação disponibilizada no último Relatório & Contas, referente ao primeiro semestre de actividade de 2011/2012. O valor total dos empréstimos obtidos ascende a cerca 367M€ (367.090.310,00€), sendo visível que o Benfica amortizou cerca de 100M€ em empréstimos. O facto, é que parte destas amortizações foram efectuadas com recurso a empréstimos obtidos, aumentando na verdade o nível de endividamento.
No final da época 2010/2011, o valor por pagar era de cerca de 238M€ (237.188.347,00€). Esta discrepância prende-se com o facto do Benfica ter negociado uma nova emissão de papel comercial no valor de 50M€. E assim vamos andando, até que alguém veja que o caminho do empréstimo chegou ao fim. Nesse dia estaremos em maus lençóis.

iii) O factor mais visível do desperdício de dinheiro, está na contratação absolutamente absurda de jogadores que o Benfica faz em TODOS os anos. São cerca de 15 jogadores (a um custo médio de cerca 1,5M€) a cada nova temporada que se inicia. Simplesmente incomportável para nós, onde as contratações deveriam ser as absolutamente necessárias. Não temos dinheiro para andar a comprar "tudo o que mexe" na América do Sul... O facto é que desde que Vieira entrou no clube, são já mais de 150 jogadores contratados e a caminho em passos largos dos 200. Inexplicável à luz do que são os nossos constrangimentos financeiros.

iv) O gráfico em baixo demonstra a evolução da relação entre proveitos e gastos, com e sem transações de atletas. É para mim frustante que, em quase todos os anos, o aumento de receitas tenha sido acompanhado por um aumento na mesma proporção dos gastos. É simplesmente má gestão. 
Rácios entre proveitos e custos
Como se pode ver em cima, os resultados são quase sempre negativos, seja em anos com mais ou menos receitas. E se no passado (até sensivelmente 2007) as vendas de jogadores minimizavam ou alteravam o panorama financeiro, mais recentemente nota-se o inverso, tendo as transações de atletas sido um peso extra nas finanças do clube. Como se explica isto se vendemos como há nunca vendemos? A explicação encontra-se no lado das compras. Sinceramente, espero que com um plantel, mais ou menos estabilizado, como o que temos agora (em que são já muitos os jogadores que estão connosco há mais de 2-3 anos), não tenhamos necessidade de atacar em força o mercado como temos vindo a fazer. Tem de imperar o bom senso nesta matéria!

v) Segundo números divulgados no último Relatório & Contas da S.A.D. (1º semestre de 2011/2012), o número de atletas sob contrato é de 67 (!), tendo mesmo descido em relação a Junho de 2011, em que esse número era de 71 (!!). São quase 3 plantéis sob contrato. Muita gente mesmo. O negativo aqui, é não só o valor crescente dos vencimentos, mas também o facto de que a esmagadora maioria destes contratos são celebrados com jogadores que não vêm da formação, implicando gastos adicionais com custos de transferência e comissões. Temos de inverter esta tendência do contratar por contratar (nomeadamente sem dar tempo aos novos atletas de vingarem no clube), pois a mesma é muito nefasta ao Benfica.
Custos com Pessoal
Número de atletas sob contrato
Os valores referentes a números de atletas sob contrato, anteriores a 2007, não foram disponibilizados nos respectivos Relatórios & Contas. Ainda assim, é possível verificar o crescimento absurdo, que ocorreu neste valor em apenas 5 anos. Quase duplicou, o que para um clube português é incomportável.


Finalmente, quero deixar bem claro que não sou perito em finanças ou economia, e que os valores aqui apresentados, são fruto de conversas que tive com gente mais capaz e de conclusões que me parecem óbvias.
O tempo de inverter este rumo despesista é agora!

Índice:
Em décimo lugar: Mistura de Amizades pessoais com a Defesa do clube.
Em nono lugar: Delapidação dos Valores do Clube
Em oitavo lugar: Introdução de Corpos estranhos ao Clube

segunda-feira, 12 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 7


Na rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", o foco incide sobre o verdadeiro culto de personalidade que vemos ser feito ao presidente. À imagem do que se passa mais a norte, também Vieira o tem.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em sétimo lugar: O Sebastianismo

Luis Filipe Vieira é hoje visto como o salvador do Benfica pela esmagadora maioria dos sócios benfiquistas. É um facto (quase) indesmentível, que encontra suporte em vários factores, entre os quais o medo generalizado de vir "um aventureiro" para o seu lugar e o quase eclipse de "oposição" visível. É um fenómeno bem português, este de encontrar salvadores para os nossos problemas. Encontramos nestes individuos, todas as soluções milagrosas que necessitamos, ao invés de perdermos algum tempo na análise desses problemas e em possíveis soluções. A pouco e pouco, sem sequer nos apercebermos, vamos deixando de "pensar" acerca das coisas, sendo sempre o D. Sebastião a efectuar essa reflexão por nós. 
No Benfica actual, é inequivoco que Vieira é o D. Sebastião. Todo o discurso e propaganda que temos vindo a assistir nos últimos anos (e que felizmente se começa agora a dissipar), não é mais do que o passar a ideia de que sem Vieira, o Benfica simplesmente acaba. Qualquer alternativa que se apresente, nunca será vista como solução. Não só o presidente segue o seu rumo intocável, como aparentemente, quase nenhuma decisão é contestada (pelo menos sem ser no café). Podem argumentar que estou a ser muito injusto e que não querem um sistema à Sporting, onde "todos" mandam. Eu concordo perfeitamente que um modelo em que muitos têm o poder de decisão é mais propenso a declives e tensões internas, pois cada cabeça sua sentença. O truque está em saber balançar o nível de avaliação do topo da cadeia com a linha e rumo traçados por esse mesmo topo. Neste momento considero que estamos demasiado balanceados para a ditadura pura. Devido em grande parte ao Sebastianismo...

O maior impacto disto é novamente (tal como num dos focos anteriores) a gradual descida da exigência, quer de quem governa, quer de quem é governado. Não é um processo imediato, leva o seu tempo, mas é seguro que levará ainda mais tempo a rectificar. As consequências disto são também elas inevitáveis, tendo a ver com as decisões no topo da cadeia hierárquica e a sua (correcta) avaliação. Em meu entender, algumas más decisões (que ainda hoje se mantém) devem-se à falta de contraditório reinante. Como também já referi anteriormente, o rumo não é questionado, as decisões não são devidamente analisadas e o resultado é um (diria constante) repetir de erros.

Mais uma vez, bastaria seguir os principios do clube relativos à pluralidade (no seu verdadeiro sentido) para que muitas más decisões simplesmente não acontecessem (eu estimaria em 50% mais coisa, menos coisa). Desde más contratações devido a estratégias erróneas, a incorrectas apreciações de rumos a seguir e apoios a providenciar, quase tudo poderia ser melhorado. 
Com um certo nível de avaliação permanente, seria possível, em minha opinião, que os próprios dirigentes de topo, fizessem a sua auto-avaliação, de acordo coom o feedback que vão tendo. Se "só" ouvem coisas boas, é óbvio que não verão nenhum motivo para mudar ou alterar a postura.