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terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Benfica que Eu quero - V

Este ponto é fulcral no bom funcionamento do clube. De nascimento humilde, desde cedo o Benfica se viu obrigado a ter uma engenharia bastante criativa para sobreviver. Ora eram os terrenos para jogos, ora os salários que não podíamos pagar e por isso os jogadores rumavam a outras paragens, ora mais recentemente a necessidade de pedir ajuda aos sócios para que o clube não ruísse. Nos dias de hoje, e face à dimensão interna/externa do clube, não é de todo necessário passarmos por dificuldades. Deste modo, apresento algumas medidas que penso ser adequadas a um Benfica sem quaisquer dividas a quem quer que seja. Sempre a pensar na racionalização das despesas e tentativa de maximização das receitas.

1.    Acabar com os empréstimos (bancários ou outros). O Benfica tem um nível de receita incomparável em Portugal (sem contar com transferências de jogadores e prémios de desempenho europeu) e deve ser nisso que se devem basear os gastos do clube.
1.1.    Fazer um orçamento sem contar com receitas extraordinárias e não o ultrapassar. O Benfica não é, nem nunca foi, um clube rico, pelo que não faz sentido estarmos a levar uma vida de rico durante alguns anos, só para vermos a rua da amargura no final.
1.2.    Adoptar uma postura comedida em relação às receitas não previstas em orçamento. As receitas extraordinárias são para dividir em três grandes blocos.
1.2.1.   Até um máximo de 40%, para suprir lacunas do plantel principal, tentando ao máximo não contratar jogadores novos só porque sim. Quem vier de fora tem de ser inegavelmente melhor que os que cá estão. E chegando cá têm de lhe ser dadas oportunidades para demonstrar o seu valor.
1.2.2.   No minimo 20% serão para guardar em reserva de caixa (quando for possível) para qualquer eventualidade imprevista no decorrer dos exercicios seguintes. (aumento de juros, etc)
1.2.3.    No minimo 30% serão para abater aos empréstimos ou em caso de necessidade, ao passivo não bancário.
1.2.4.    Estes valores são recomendados, podendo ser excedidos (ou não atingidos) em caso de manifesta necessidade e completa e transparente documentação e aprovação.
1.3.    Valorizar o que os sócios/adeptos podem dar ao clube, muitas vezes gratuitamente ou a baixo custo.

2.    Acabar com o entreposto (de atletas e técnicos). Já foi referido na secção II mas não é demais relembrar. Mais de metade das contratações actuais do Benfica são completamente inconsequentes e a maior parte destas são totalmente desnecessárias. Não só muitas vezes contratamos para posições já de si sobrelotadas, como temos qualidade no Benfica para fazer “o mesmo” trabalho, sem onerar mais do que o necessário o clube.

3.    Valorizar a marca Benfica junto dos patrocinadores sem nunca descurar o seu produto. A força do Benfica está nos seus sócios adeptos e simpatizantes. Qualquer tentativa de vergar o clube a interesses financeiros e/ou económicos deverá ser imediatamente reprovada e denunciada, após se esgotarem quaisquer tentativas de entendimento. Mas nunca ceder e zelar intransigentemente pelo clube.
Um exemplo é o do borrão azul na camisola. A PT, com medo da hostilidade crescente para com a sua marca tmn, decidiu ceder e deixar de forçar os ditos borrões (azul e preto) nas camisolas do clube. A acção partiu dos sócios/adeptos, pois os seus dirigentes não souberam estar à altura. O que preconizo é que seja a direcção abertamente a denunciar estas tentativas e a defender o clube, publicitando ao máximo estas movimentações (os benfiquistas saberão tratar mal quem trata mal o clube), depois claro está, de se esgotarem todas as vias do diálogo. O Benfica não pode continuar a ser um clube que diz que sim a tudo para ver mais alguns trocos…

4.    Inovar na captação de patrocínios em Portugal e no estrangeiro. A esse respeito sou totalmente a favor de coisas como:
4.1.    Negociar o aluguer do nome do estádio por períodos não superiores a 10 anos.
4.2.    Criação do Sponsor Afectivo, que poderá (ou poderão caso seja mais que um) ver os seus logótipos associados ao do Benfica, no interior do Estádio/pavilhão, com a criação de produtos exclusivos. Alguns exemplos para ficarem com a ideia mas muitos mais haverá:
4.2.1.    Água Benfica que será servida num recipiente de cartão em vez da normal garrafa de plástico (como em qualquer cadeia de fast food) com os logótipos e mensagens dos patrocinadores. Quem diz água, diz cerveja, sumo ou refrigerante.
4.2.2.    Bifana Benfica que virá embrulhada num papel com os logótipos dos patrocinadores. Quem diz bifana, diz prego.
4.2.3.    Petisco Benfica que seria uma espécie de cesto (nos moldes referidos em cima) com variados petiscos tradicionais (torresmos, moelas, queijo tradicional, enchidos tradicionais, salgados, tremoços, etc)
4.2.4.    Almofada Benfica, para quem tem o rabiosque sensível e precisa de um suporte condigno.
4.3.    Renovar/renegociar com parceiros existentes a melhoria dos contratos vigentes/prestes a acabar.

Estas são algumas das medidas que defendo, mas muitas outras haverá que serão porventura ainda melhores e/ou mais fáceis de implementar.

sábado, 22 de setembro de 2012

O Fim do Verão

Luis Filipe Vieira assume. O Benfica vai contrair o seu nível de investimento no futebol profissional, quer seja em contratações, quer seja em salários. Em discurso na inauguração da nova imagem da casa do Benfica de Almada, o presidente foi claro. Vender, Vender, Vender. Formar bem para Vender. Confiar na capacidade potenciadora de Jesus para Vender. Cortar na folha salarial. Tudo medidas de controlo de gastos.

Há muito que defendo este caminho, sob pena de um belo dia o Benfica pura e simplesmente ruir. Não podemos continuar a gastar 30M€ em contratações por ano, manter mais de 70 jogadores sob contrato e esperar que as finanças não sofram com isso. É demagógico afirmar, como se tem feito nos últimos anos, que o Benfica gera receita suficiente para um nível de investimento tão grande. E que não é necessário vender ou ir à Liga dos Campeões com campanhas razoáveis. É necessário sim, face ao nível de endividamento a que chegámos.

Espero sinceramente que seja esse o caminho, aliás corroborado pelos recentes actos no final de Agosto, principio de Setembro. A aposta na formação tem de ser uma realidade. Não como única solução (igual a parar completamente o investimento na equipa), mas sim como complemento real às contratações cirúrgicas que se devem fazer.

O presidente do clube, afirmou que não vai permitir que a casa venha abaixo e merece o meu aplauso por isso, só que é bom não esquecer o que de mau foi feito que levasse a esta situação.

Faz-me lembrar a história da cigarra e da formiga, conto popular tão importante a explicar às crianças que o trabalho é muito importante. Faz-me lembrar esta história, na medida em que, nos último anos, o Benfica viveu num Verão à grande e à francesa (outra expressão popular ajustada à situação). 
Tínhamos dinheiro fresco a entrar todos os anos, proveniente de avultados empréstimos obrigacionistas, antecipação de receitas das vendas milionárias através de empréstimos, o fundo criado em 2009, enfim, parecia não acabar o nosso poder de captar este financiamento. Pudémos rir, cantar, e festejar sem preocupações, com todos os recursos que estavam à nossa disposição, mas nunca ninguém dentro do Benfica se movimentou no sentido de por um travão à megalomania que assolou o clube.

Chegámos ao fim do verão senhores, e agora temos de ultrapassar o inverno que se aproxima, com muitas dificuldades. E para quê? Para termos um campeonato ganho em 5 anos? Tivéssemos sido mais cautelosos com os recursos e hoje porventura, teríamos os mesmos resultados e uma capacidade para arrasar a concorrência interna, que já se viu que também andou a cantar feita cigarra e agora sofre as mesmas consequências que nós! Mas eles ainda têm alguma coisa para mostrar...

Parece-me sinceramente que ainda se deram conta deste grave problema a tempo. Assim tenham a coragem de confirmar a inversão de politica com acções.