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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Benfica e o Record


Podem consultar no link em cima, um artigo publicado no jornal Record, pelo seu director, Alexandre Pais. Nele é descrita sumariamente a decisão de Benfica e Record de reatarem relações normais. Para quem não se lembra, estes processos diziam respeito às noticias publicadas acerca das investigações da PJ nos casos de transferências do Benfica, nomeadamente a de Júlio César, em que o Benfica pedia indemnizações num valor total de 132M€. Podem comprová-lo no link:

Lendo o texto agora publicado, salta à vista a seguinte frase:
«O Benfica aceitou retirar os processos judiciais que instaurara ao nosso jornal e nós fizemos o que nos competia: pedimos desculpa por termos publicado, embora de boa fé, notícias cujos factos subjacentes não tinham fundamento.»
A ideia que dá, a partir desta frase, é que existiu destaque para o pedido de desculpas, no referido jornal. Pois bem, eu vejo as capas do Record todos os dias e nunca, por uma vez que fosse, vi lá qualquer pedido de desculpas por publicarem mentiras. Se calhar falhei a edição em que tal aconteceu...
Inclusivamente na de hoje, que deixo em baixo, nem uma nota de rodapé colocam.


Não faço ideia de que tipo de acordo foi feito entre Benfica e Record. Possivelmente existirão algumas contrapartidas futuras, nomeadamente a não publicação de noticias desta natureza. Qualquer que tenha sido o acordo alcançado, apraz-me dizer o seguinte.

1. O Record é o jornal que mais "fabrica" noticias. Não interessa minimamente verificar se é verdade ou não. Se há a mínima chance de ajudar a vender mais jornais, publicam-se noticias bombásticas, que depois mete-se um pedido de desculpas num canto da penúltima página. 

2. O director do jornal confirma que as noticias publicadas não têm fundamento, pelo que os processos interpostos, tinham tudo para dar razão ao Benfica. Não acredito que fossemos receber as quantias reclamadas, mas qualquer que fosse a pena a aplicar aos referidos jornais, seria um aviso sério a todos para melhorarem a qualidade do jornalismo, que nos dias de hoje saiu da sarjeta directamente para o esgoto.

3. Caso fosse "eu que mandasse", os termos de um eventual acordo eram simples.
 a) Publicação de um pedido de desculpas, com direito a destaque em pelo menos meia capa.
 b) Revelação das "investigações" efectuadas e dos passos para "confirmar" as várias notícias.
 c) Punição (monetária ou outra) exemplar de todos os que não fazendo o seu trabalho, se prestaram a estas figuras tristes.

E basicamente é isto. O Benfica, com mais uma oportunidade única (a meu ver) de pugnar por um melhorar do desporto em Portugal, e fazemos acordos com quem reiteradamente nos faz mal, dos quais a parte visível é um claro manter do status quo sem levantar grandes ondas.
Não sejamos ingénuos ao ponto de acreditar que o Record deixará de ser o pasquim que sempre foi.