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sábado, 22 de setembro de 2012

O Fim do Verão

Luis Filipe Vieira assume. O Benfica vai contrair o seu nível de investimento no futebol profissional, quer seja em contratações, quer seja em salários. Em discurso na inauguração da nova imagem da casa do Benfica de Almada, o presidente foi claro. Vender, Vender, Vender. Formar bem para Vender. Confiar na capacidade potenciadora de Jesus para Vender. Cortar na folha salarial. Tudo medidas de controlo de gastos.

Há muito que defendo este caminho, sob pena de um belo dia o Benfica pura e simplesmente ruir. Não podemos continuar a gastar 30M€ em contratações por ano, manter mais de 70 jogadores sob contrato e esperar que as finanças não sofram com isso. É demagógico afirmar, como se tem feito nos últimos anos, que o Benfica gera receita suficiente para um nível de investimento tão grande. E que não é necessário vender ou ir à Liga dos Campeões com campanhas razoáveis. É necessário sim, face ao nível de endividamento a que chegámos.

Espero sinceramente que seja esse o caminho, aliás corroborado pelos recentes actos no final de Agosto, principio de Setembro. A aposta na formação tem de ser uma realidade. Não como única solução (igual a parar completamente o investimento na equipa), mas sim como complemento real às contratações cirúrgicas que se devem fazer.

O presidente do clube, afirmou que não vai permitir que a casa venha abaixo e merece o meu aplauso por isso, só que é bom não esquecer o que de mau foi feito que levasse a esta situação.

Faz-me lembrar a história da cigarra e da formiga, conto popular tão importante a explicar às crianças que o trabalho é muito importante. Faz-me lembrar esta história, na medida em que, nos último anos, o Benfica viveu num Verão à grande e à francesa (outra expressão popular ajustada à situação). 
Tínhamos dinheiro fresco a entrar todos os anos, proveniente de avultados empréstimos obrigacionistas, antecipação de receitas das vendas milionárias através de empréstimos, o fundo criado em 2009, enfim, parecia não acabar o nosso poder de captar este financiamento. Pudémos rir, cantar, e festejar sem preocupações, com todos os recursos que estavam à nossa disposição, mas nunca ninguém dentro do Benfica se movimentou no sentido de por um travão à megalomania que assolou o clube.

Chegámos ao fim do verão senhores, e agora temos de ultrapassar o inverno que se aproxima, com muitas dificuldades. E para quê? Para termos um campeonato ganho em 5 anos? Tivéssemos sido mais cautelosos com os recursos e hoje porventura, teríamos os mesmos resultados e uma capacidade para arrasar a concorrência interna, que já se viu que também andou a cantar feita cigarra e agora sofre as mesmas consequências que nós! Mas eles ainda têm alguma coisa para mostrar...

Parece-me sinceramente que ainda se deram conta deste grave problema a tempo. Assim tenham a coragem de confirmar a inversão de politica com acções.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Gestão Danosa II - Ou talvez não

Quando, no passado dia 31 de Agosto, tomei conhecimento dos contornos do negócio Javi Garcia, e da sua mudança para o Manchester City, também eu me indignei. Também eu me insurgi, não contra o negócio em si, mas sim contra os contornos do mesmo. E tal como todos os que o fizeram, também eu estava errado.
No artigo "Gestão Danosa" (aqui), critiquei o facto do Benfica não conseguir fazer com que o City, clube mais endinheirado de Inglaterra, pagasse os 30M€ de clausula de rescisão, que constava no contrato com o Javi.

Só que, após ler um artigo na blogosfera encarnada (peço imensas desculpas aos leitores mas já não sei precisar onde foi) tive de ir verificar o que diz o Regulamento de Gestão do fundo "Benfica Stars Fund". E tenho de reconhecer que estava equivocado. O negócio feito foi o possível, face às condicionantes presentes no momento e aos acordos previamente estabelecidos
.
Vamos aos factos, que suportam esta minha inversão de opinião a 180º.
  1. Em Julho de 2009, o Benfica compra Javi Garcia ao Real Madrid por 7M€.
  2. Aquando da constituição do fundo "Benfica Stars Fund" (aprovado pela CMVM a 24 de Setembro de 2009), Javi é um dos jogadores com parte do passe alienado, pelo valor de 3,4M€ por 20% do passe. Fazendo uma regra de três simples, temos que a avaliação de Javi na altura foi de 17M€.
  3. Nos pontos 8 e 9 do Artigo 8.º do Capitulo II do referido Regulamento de Gestão, está expressamente indicado que o Benfica é obrigado a vender sempre que uma proposta recebida seja igual ou superior ao valor de referência (que é acordada entre Benfica e Fundo e será em teoria superior ao valor de avaliação) ou em alternativa, re-adquirir a percentagem do fundo, pelo valor que seria recebido por este caso a proposta fosse aceite. Trancrevo a totalidade do ponto 8 e parte do ponto 9 em baixo.
8. Sempre que o Fundo adquira direitos económicos relativamente a um determinado atleta, será fixada uma tabela de referência pela Entidade Gestora e pela Benfica SAD da qual constarão os valores que servirão de referência para propostas futuras que sejam recebidas pela Benfica SAD para a aquisição dos direitos relativamente àquele atleta. Os valores constantes da tabela de referência serão iguais ou inferiores aos valores das cláusulas de rescisão que a Benfica SAD tenha acordado com cada um dos seus atletas, e apenas se essas cláusulas tiverem sido estabelecidas. Caso alguma proposta para aquisição dos direitos desportivos relativos a determinado jogador venha a ser concretizada em montante que iguale ou ultrapasse o valor de referência respectivo, constante da referida tabela, a Benfica SAD fica obrigada a vender os direitos desportivos que detenha inerentes a esse mesmo atleta.
9. Quando tenha sido recebida uma proposta relativa a um determinado jogador nos termos da parte final do número anterior, a Benfica SAD pode sempre adquirir ao Fundo os direitos económicos que detenha relativos a esse mesmo atleta, pelo valor que seria devido ao Fundo caso a proposta fosse aceite pela Benfica SAD. ...
Ou seja, Se o City tivesse oferecido 17M€ (e fosse esse o valor de referência), o Benfica era obrigado a vender ou a comprar os 20% do passe de Javi por 3,4M€. No caso da proposta que acabou por ser aceite, o Benfica teria de pagar sensivelmente 4,6M€ ao fundo, caso não quisesse vender. Com a noticiada pressão de Javi em sair nesta altura, penso ser claro que pouco poderiamos fazer para o segurar. Pagar 4,6M€ e o respectivo aumento de salário para manter um Javi algo contrariado (inevitavelmente, pese embora todo o seu amor pelo clube) teria sido uma medida de gestão pior do que aquela que se tomou.

É o problema do fundo. Na altura de comprar é bom termos um parceiro que suporte parte dos custos. Na altura de vender perdemos alguma margem negocial.

Esta reflexão que eu fiz, levanta-me no entanto uma outra questão. Porque razão não foi isto explicado a tempo e horas aos sócios? Uma declaração do presidente, a referir este facto seria mais que suficiente para que a histeria de dia 1 tivesse sido estancada.

Eu, pela minha parte, faço o mea culpa e admito que foi mesmo o negócio possível.