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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A ditadura no Benfica

Na passada sexta feira (finalmente!!), fui um dos que marcou presença na AG de votação do Orçamento do clube para 2013/2014. Como todos sabem eu sou oposicionista desta direcção. Não acredito minimamente em Luis Filipe Vieira e seus pares para levarem o Benfica ao lugar que merece.
No entanto, nunca imaginei nos meus piores pesadelos que isto tivesse chegado a este ponto. Para quem não foi (por não querer ou não poder), perderam uma excelente oportunidade de ver como se desrespeitam os sócios de forma absolutamente abjecta.

Antes de mais, deixem.me só referir que o orçamento foi apresentado pelo vice-presidente Nuno Gaioso, o qual sinceramente me surpreendeu pela positiva. A apresentação foi clara e concisa e demonstrou abertura para esclarecimento de dúvidas que pudessem existir.
O orçamento foi aprovado com 55% de votos a favor, mas se tivesse sido chumbado, o resultado seria exactamente o mesmo. Eu votei contra, para demonstrar esse mesmo "aparente paradoxo".
Nada se passaria, pois os sócios do clube já não têm nenhum poder decisório, sem ser em eleições. É triste ver sócios conformados com este papel de meros clientes do clube.

Passando aos acontecimentos da AG, devo referir que fui o primeiro sócio (excluindo os membros dos órgãos sociais) a falar e a expor as minhas duvidas acerca do Orçamento proposto. Em traços gerais fica aqui o essencial da minha intervenção (sem recurso a papel de discurso)

Comecei por referir o que de bom tinha visto:
  • A tentativa de dotar as modalidades de todas as condições apesar das quebras de receitas com patrocínios e quotização.
  • A diminuição acentuada da parcela de quotização atribuída à SAD.
  • A alocação de 10% das receitas de quotização para as modalidades (sem contar com a quota modalidades)
Todos estes aspectos seriam bastante animadores, numa altura de terrível crise no nosso país. E eu acho muito bem que se faça o esforço, pois o ecletismo no Benfica é uma imagem de marca e os sócios e adeptos gostam sempre de ver os seus atletas.

Passei depois aos aspectos onde tinha algumas dúvidas:
  • Na mensagem do presidente, presente na proposta de orçamento, estava escrito que o novo Museu Cosme Damião abre já em Julho ao público. No entanto, e apesar de em anos anteriores existir receita contabilizada, neste orçamento não se vislumbra qualquer receita proveniente do museu ou das visitas ao estádio. Questionei se o museu iria ter entradas gratuitas (o que não me parecia plausível) ou se as receitas estariam agora afectas a uma das participadas.
  • Questionei também o vice-presidente Nuno Gaioso, que em Outubro passado se orgulhava enormemente do clube não ter passivo bancário, com o facto de estarem previstos gastos e perdas financeiros (juros) no valor de 400.000€. Que empréstimo teve o clube que fazer?
  • Finalmente, questionei a direcção acerca do facto de em 2010/2011 e 2011/2012 os orçamentos projectarem lucros modestos, mas os R&C correspondentes apresentarem prejuízos elevados. Que garantias nos podiam dar de que isso não se passaria com este orçamento.
Após mais intervenções (muito melhores que a minha), o vice presidente Nuno Gaioso voltou ao palanque para esclarecer as duvidas e questões dos sócios que falaram em relação ao orçamento. Deixo em baixo em traços gerais, as respostas às questões que fiz.

  • As receitas do museu Cosme Damião ficarão afectas à Benfica Estádio.
  • O empréstimo contraído pelo Benfica Clube, foi à Benfica Estádio, para pagar as obras do museu.
  • Garantias de execução orçamental não as podia dar, pois os resultados apurados no R&C tinham também em conta as empresas participadas que influenciavam decisivamente esses mesmos resultados.
E se até aqui tudo tinha decorrido com a maior das normalidades, a partir deste momento foi o descalabro. 

Deixem-me colocar um pequeno aparte nesta altura para que percebam de onde vêm as minhas considerações seguintes - Uma discussão de orçamento pressupõe no meu entender uma trocas de ideias e argumentos entre sócios e direcção até que todas as dúvidas estejam esclarecidas. Isto implica o direito de resposta de ambas as partes que se necessário fazem a discussão prolongar-se no tempo.

Quando o vice-presidente discursava pela segunda vez, dando as respostas que entendeu convenientes às dúvidas dos sócios, Bruno Carvalho dirigiu-se à mesa da AG para solicitar o direito de resposta a algo que o vice-presidente tinha dito. Este pedido foi prontamente negado por Luis Nazaré. O mesmo, revelou em modo sucinto qual a pretensão de Bruno Carvalho, não lhe dando o direito a responder. Segundo ele para não demorar muito os trabalhos. De imediato alguns sócios demonstraram o seu desacordo relembrando Nazaré das discussões magnas que duravam até as 4 e 5 da manhã. Outros houve que questionaram se estávamos em presença de uma ditadura. Nazaré explodiu e lançou um sonoro "- Vocês sabem lá o que é uma ditadura!". Mais ânimos exaltados. E Nazaré continuou a não dar o direito de resposta aos sócios que ainda tinham duvidas. Eu tinha algumas, mas face à postura de Nazaré, não me foi possível questionar mais a direcção. Tudo para agilizar o processo. Nesta altura parecia que Nazaré tinha algo a fazer naquela noite e que não se podia demorar na AG.

Deixo aqui as questões aos meus leitores, para que possam pensar e reflectir sobre elas. Se chegarem a alguma conclusão que eu tenha deixado passar façam uso da caixa de comentários ali em baixo.

  • Se o Benfica clube, teve de pedir um empréstimo à Benfica Estádio (sua participada) porque motivo as receitas do Museu não ficam no Benfica clube para ajudar a suportar os gastos com esse empréstimo? Assim fica o Benfica clube com o encargo do empréstimo, mas a Benfica Estádio com as receitas que daí advém.
  • Se o R&C tem em conta as empresas participadas, porque não pode ter o orçamento em conta também essas mesmas empresas? É impossível projectar o ano nessas empresas? Não pode ser feita uma estimativa ou levantamento do que poderão custar essas empresas ao Benfica clube?

O pior veio mesmo depois, quando após uma votação em que entraram alguns sócios (provenientes das casas do Benfica) apenas e só presentes na votação, os animos se exaltaram, com muitos sócios da Bancada a protestaram o tratamento discriminatório da mesa da AG. por duas vezes o presidente da mesma se esqueceu de contar votos contra...
Nazaré, ao bom estilo ditactorial, ameaçou 3 vezes em 10 segundos, acabar com a reunião magna. E à terceira acabou mesmo com a AG, deixando muitos sócios incrédulos. Foi impossível demover o presidente da mesa da AG da sua decisão, mesmo com os vários apelos de sócios que já se tinham inscrito para falar. Verdadeiramente anti-democrático. As suas palavras 10 minutos antes ecoaram então na mente de todos, tendo inclusivamente alguns sócios dito que acabava de demonstrar bem o que era uma ditadura.
O caso agravou-se ainda mais, quando Paulo Parreira, conhecido sócio benfiquista, se dirigiu ao palanque e apelou a todos que voltassem aos seus lugares pois ele ainda iria falar (mesmo que com a AG acabada parece-me). Nessa altura a música atingiu niveis ensurdecedores, de modo a não deixar que o sócio fosse ouvido. É inacreditável uma coisa destas. Simplesmente um escarro na nossa gloriosa história democrática.

E assim levei mais um murro no estômago, numa época em que não foram poucos. Mas foi este o que me doeu mais e que mais me marcou e marcará. O dia em que vi o meu clube democrático em ditadura ser ditactorial em democracia.

Para o final deixo algumas notas que têm uma relevância muito importante.
  1. Luis Filipe Vieira, o presidente do Benfica e dos sócios, não se dignou a falar com os mesmos. Entrou mudo e saiu calado de uma AG em que era sua obrigação ser o primeiro a falar aos sócios. Nem que fosse para dizer boa noite e agradecer a presença naquele dia.
  2. José Eduardo Moniz faltou à AG. Ninguém sabe porque motivo. Não foi esclarecido porquê. Os rumores de que estará de saída do clube e de volta à TVI começam a ganhar força.
  3. Luis Nazaré portou-se com um ditador. O presidente da mesa da AG deve ser a voz dos sócios e não um instrumento da direcção do clube.
  4. O frete que apenas Nuno Gaioso não demonstrou (o meu apreço por ele e por se mostrar disponível) estendeu-se a todos. Realmente estarmos ali ou no cinema ou nos copos era a mesma coisa.
Para finalizar que o texto já vai bastante longo, quem apelidou bem este nosso presidente da mesa da AG, foi o actual presidente do clube, quando o apelidou de papagaio.

Até quando Benfica? Até quando?

terça-feira, 13 de março de 2012

Que descanse em paz...

O futeluso (expressão "roubada" ao enorme Em Defesa do Benfica) morreu ontem. Já não vivia de boa saúde há muito tempo, definhando ano após ano, para "glória" de alguns (quase sempre os mesmos curiosamente).
Ontem foi o golpe fatal. É absolutamente nojenta a forma como estas figurinhas chegam ao poder e por lá se mantém, distribuindo tachos uns pelos outros.

Conselho de Presidentes e AG Extraordinária realizados ontem, mudaram a face de fachada dos "iluminados". As propostas apresentadas e votadas nesta reunião, não são mais do que o pagar de favores prometido aquando da Campanha eleitoral. Quando há algumas semanas o presidente do Gil Vicente garantia que o alargamento das Ligas Profissionais se faria sem despromoções por promessa do então candidato, quem de direito, não ligou. Ignorou até e passados poucos dias isto caiu no esquecimento. Ontem veio a confirmação oficial. Mas não foi só isto que se passou, embora ninguém o divulgue convenientemente.

As cinco deliberações tomadas ontem são:

  1. Nomeação da comissão executiva. Basicamente os mesmos que lá estavam na anterior gestão.
  2. Preparação de uma eventual queixa de denúncia dos contratos vigentes relativamente aos direitos televisivos. Em suma querem os direitos televisivos a serem geridos pela Liga ao invés da situação actual, em que cada clube gere os seus direitos. Eu concordo com a base mas isto tem de ser muito bem explicado. Porque meter os três grandes a ganhar sensivelmente o mesmo é ridículo, tendo em conta o peso do Benfica ser superior aos outros dois juntos. Já estou a ver o que se vai preparando.
  3. Emissão de certidões por parte da Liga, para "passar" por cima das certidões estatais a comprovar os pagamentos ao abrigo do plano Mateus. Isto é gravíssimo. Basicamente abriu a porta a futuras deliberações no sentido de se acabar com a necessidade de ter contas em dia para poder participar nas ligas profissionais. Nojento!
  4. Distribuir a verba restante da Taça da Liga para os clubes da 2ª Liga.
  5. Queixa contra o estado Português por falta de informação em relação à lei do jogo. Aqui não sei se ria se chore.Celebraram contratos de patrocínio sem saber a lei? Grave, muito grave.
Depois disto, temos o que toda a gente fala. Alargamento sem despromoções. É uma festa. Caminho aberto para resultados mais que combinados, pois as consequências das derrotas na zona de "despromoção" são nulas. Nem liguilha, nem sobe e desce, nem desporto competitivo saudável. Os 5 primeiros vão andar a lutar por melhorar as suas posições, enquanto os restantes descansam para o próximo ano. Por falar no próximo ano, o calendário vai ser algo de inolvidável. Será que vão finalmente acabar com as férias de natal?

Quem ganha com estas deliberações? Para já o sistema sai fortalecido. Numa época em que o crónico campeão não dá uma para a caixa, estas benesses vêm mesmo a calhar. Ganham os clubes pequenos, pois a competição para eles acabou. Ganham os clubes incumpridores, pois a porta está aberta a mais Estrelas da Amadora. E no fim podem ter a certeza de que ganham os mesmos de sempre