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sábado, 10 de março de 2012

O fracasso de Vieira - 8

Na rubrica de hoje de "O fracasso de Vieira", o foco está noutro aspecto negativo, que até pode não ter tanta importância como isso mas denota uma certa tendência que se foi instalando no clube. Tendência essa que se apresenta como falta de exigência.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em oitavo lugar: Introdução de Corpos estranhos ao Clube

Acho que este factor nem necessita de muitas explicações. Por si só, é bastante claro, que ter adeptos assumidos de clubes rivais (Sporting CP, FC Porto e Boavista FC) em cargos de responsabilidade no Benfica, não é de todo o cenário ideal. E por uma razão muito simples, que deriva do facto da clubite ser parte integrante do fenómeno desportivo em Portugal. Um Sportinguista ou Portista que trabalhe para o Benfica, nunca sentirá a mesma desolação que um Benfiquista sente aquando da derrota do seu clube. Nem a alegria efusiva que um benfiquista sente nas vitórias. E o mesmo é verdadeiro para situações inversas. É, simplesmente, como as coisas são.
O impacto que isto tem no clube, é que o nível de empenho de um corpo estranho, em fazer com que o Benfica ganhe, nunca será o mesmo que o de um benfiquista, por mais que, actualmente se queira passar essa mensagem. Poderá ser argumentado, que um benfiquista nunca terá o nível de distanciamento e racionalidade quanto um adepto de outro clube (face ao Benfica obviamente) e que isto implica (quase necessariamente) que o nível de competência de um adepto de outro clube será superior. Parece-me falacioso, no mínimo, apresentar como negativo o amor que sente um benfiquista pelo Benfica. Há ainda outro aspecto que merece ser mencionado, e esse aspecto é a falta de debate/discussão em torno das decisões, pois um adepto de outras cores nunca levará até ao limite essa mesma discussão, mesmo quando a decisão é errada ou existe uma decisão melhor. Simplesmente o nível de compromisso com o clube não é o mesmo.
Ao longo do seu período no Benfica, Luis Filipe Vieira, já introduziu enúmeros corpos estranhos no Benfica. Alguns saíram, outros mantêm-se em funções. Desde Veiga a Domingos Soares de Oliveira, não esquecendo Paulo Gonçalves e Jorge Gomes (este último com funções de prospecção internacional na pele de colaborador) são vários os nomes que vão "enchendo" os lugares decisórios no Benfica.
O Benfica está hoje transformado numa empresa, em que os resultados desportivos, são pouco ou nada relevantes.O curioso disto, é que nenhum sócio benfiquista tem qualquer poder (ou melhor dizendo, só o presidente o tem), para remover estes indivíduos dos cargos que ocupam, pois nenhum deles foi eleito.
Em minha opinião, deveríamos colocar Benfiquistas nos lugares de decisão. Num ou noutro ponto da estrutura (mais abaixo obviamente) não sou contra ter "profissionais" (naturalmente afectos a outro clube), mas quem tem de tomar decisões, terá necessariamente de ser Benfiquista.
Os benefícios disto, são, em minha opinião, um compromisso maior com o clube, que levaria a melhores decisões no final do dia. Claro que não estou com este tema a insinuar que um benfiquista no lugar de Domingos Soares de Oliveira faria seguramente melhor que este. O que acontece, e é esse o meu sentimento, é que o nível de compromisso com o clube seria muito maior, levando a que algumas decisões (como o facto de se comprar jogadores a granel) fossem pelo menos melhor estudadas.

Indice:
Em décimo lugar: Mistura de Amizades pessoais com a Defesa do clube.
Em nono lugar: Delapidação dos Valores do Clube