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segunda-feira, 14 de maio de 2012

O fracasso de Vieira - 1


A rubrica final de "O fracasso de Vieira", foca-se na dicotomia entre discurso e acção ao longo dos anos. Geralmente o que o Benfica faz, entra em contradição com o que diz.

O tempo de Luís Filipe Vieira à frente do Benfica já vai longo. São 2 anos de Director Desportivo do Futebol (2001-2003) mais 8 (9) anos de presidente (2003-2012). Ao longo deste tempo, foram muitas as dificuldades que teve de superar, mas não tantas como as que nunca se cansou de repetir. Foram ainda mais (muitos mais) os erros que se cometeram, alguns dos quais com graves repercussões nos destinos do clube.

Em primeiro lugar: Discurso/Acção

O Benfica de Vieira é useiro e vezeiro em falar fora de tempo e contrariametne à sua acção (anterior ou posterior). É um mal de que padecemos e não parece haver meio de nos livrarmos dele. Muitas vezes a resposta certa no tempo certo é a diferença entre ganhar ou perder. A este respeito lembro-me sempre da famosa interpelação de Luis Duque a um árbitro acerca de um almoço. Não foi antes nem depois. Remédio santo.
Infelizmente para nós, podia aqui citar múltiplos casos onde isto se passou. Fico-me pelos casos que me merecem mais consternação.

À cabeça vem sem quaisquer dúvidas, os apoios a corruptos. Quando uns anos antes, Vieira foi um dos maiores impulsionadores do Apito Dourado, estava longe (muito longe mesmo) de imaginar que algum dia viesse a apoiar corruptos para cargos de poder. O facto é que apoiou inequivocamente Fernando Gomes duas vezes. Incompetência? Ingenuidade? Tentativa de ganhar o controlo do Sistema? Não o sei dizer e isso aflige-me mais, pois nunca sei o que vamos fazer. 

Quando em Setembro de 2010, a direcção se reuniu com alguns benfiquistas e decidiu emitir um manifesto com alguns pontos guiadores da acção encarnada, foi notória a tentativa de passar a mensagem de que o Benfica estava atento ao que se estava a passar (com o seu apoio não esquecer). No entanto, uma liderança forte faz-se de exmplos e nessa altura a nossa liderança fez-se pelas palavras e não pelas acções. Enquanto a direcção pedia aos adeptos para boicotarem os terrenos alheios de equipas conotadas com o sistema, passeava-se alegremente pelos camarotes desses estádios. "Se os lideres lá vão porque que raio devem os adeptos boicotar?" foi o que devem ter pensado muitos.

O nosso departamento de Comunicação é sempre lesto a vir defender o presidente, mas parece que tem dificuldade em defender o Benfica. Já perdi a conta às vezes em que nos suspenderam as acções em bolsa sem que sigam critério igual para os nossos adversários. Ao invés de denunciarmos isto, fazemos negócios como o de Roberto que dão azo a que nos penalizem ainda mais. ...

A gestão dos silêncios é também ela quase anedótica. Enquanto estamos a ser roubados jogo após jogo, os dirigentes e departamento de comunicação estão calados. Quando já não há possibilidade de recuperarmos, disparam tiros de pólvora seca nas mais variadas direcções. É assim há vários anos.

Quais os custos disto para o clube? 
Em primeiro lugar é o descrédito completo. Não só perante os benfiquistas, como perante quem "governa" o futebol. Passa-se a ideia de que tudo é possível fazer, que o Benfica não se revoltará contra isso (pelo menos não na verdadeira acepção da palavra revolta). Passa-se também a ideia de que há um certo comprometimento que nos impede de falar atempadamente. 
Em segundo lugar, desvia o clube do seu rumo, pois quando somos atacados de todas as formas e feitios, ao não nos "defendermos" (ou defendendo-nos do ataque errado), interiorizamos que não é possível combater quem nos ataca e instala-se um sentimento de desresponsabilização em todos. Quando falamos a destempo, soa sempre a desculpas esfarrapadas embora tenhamos na maior parte dos casos muita razão. E novamente, quando as nossas queixas soam a desculpas o sentimento de desresponsabilização apodera-se do clube e instala-se a cultura derrotista que, fazendo jus ao nome, impede que os nossos profissionais apareçam nos momentos adversos em grande plano. Tantos e tantos casos em que se tivéssemos a mentalidade certa, os resultados seriam bastante melhores (e isto apesar dos factores externos).

O que fazer para solucionar isto? É tão fácil que me magoa que não o façamos. Fazer com que as nossas acções sigam as nossas palavras. 
Dando dois exemplos:
1. Se o Benfica é prejudicado fortemente por um Sistema corrupto (e nos queixamos muitas vezes com razão), não se apoia ninguém desse sistema para cargos de poder. E mais, parte da nossa comunicação coloca um forte foco no passado desse(s) antigo(s) membro(s).
2. Se afirmam à boca cheia que o descarregamento de jogadores no Benfica acabou (quase todos os anos se diz isso) então aja-se em conformidade, e acabe-se de vez com o entreposto.

Quais os beneficios de uma politica de "acção segue o discurso"? Antes de tudo é a coerência. A coerência que permite um ataque eficaz e uma defesa certeira de quem não está comprometido ou desresponsabilizado. Dou o exemplo do Ricardo Araújo Pereira nas suas crónicas para o jornal A Bola. A coerência era a sua grande imagem de marca (ainda mais que o humor, em minha opinião). Era frequente vê-lo apontar as incoerências de outros colunistas (e por conseguinte gozar autênticamente com eles), mas o contrário nunca aconteceu. Porque não podia acontecer. E se hoje a sua opinião é muito valorizada pelas pessoas, é também porque nunca perdeu a sua coerência.

Em minha opinião, um Benfica coerente no discurso e na acção, é um Benfica a fazer frente aos poderes instalados que tudo fazem para que não tenhamos sucesso. Como sempre foi nosso apanágio em outras épocas, contra outros ataques. É um Benfica a responsabilizar-se a si próprio e a outros, atribuindo a responsabilidade (pelo bom e pelo mau) a quem de direito de forma coerente.
É acima de tudo o resto, um Benfica à Benfica.


2 comentários:

  1. vai para la pah...se es capaz de fazer melhor...

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    1. Caro Anónimo,

      Outra vez? Já lhe disse que os estatutos actuais não me permitem... a menos que tenha a sorte que o actual presidente teve quando entrou no Benfica...

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