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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Benfica protege os sócios?

Já venho sendo alertado para a pouca vergonha que vamos encontrando ano após ano em relação aos nossos adeptos, nos pavilhões da Luz. São já várias as situações onde ouço falar de abuso policial e violência contra os nossos e protecção dos adversários. O caso mais grave aconteceu o ano passado no Estádio da Luz aquando do jogo do título com o Porto, mas muitos outros se vão passando e esquecendo no tempo. Nunca pensei muito nisto até passar por isso. À boa maneira portuguesa portanto.

Escrevo este artigo, com a devida distância do passado Sábado, para ter tempo de reflectir e não falar a quente. Começo com duas notas:

  1. Serão os adeptos encarnados assim tão maus e violentos que necessitem de policia constantemente a vigiar-nos?
  2. Qual a razão para me parecer que quem nos devia proteger, se preocupa mais com o bem estar dos nossos adversários?

Começando do princípio, fui no passado Sábado ao complexo da Luz para apoiar o nosso Voleibol na negra da final do campeonato, seguindo depois para o futebol. Como muitos de vocês devem saber, estou "emigrado" na Bélgica devido ao emprego. A vida está difícil em Portugal e quando surgiu esta oportunidade, nem pensei duas vezes. No entanto, sempre que estou de volta ao meu país (na maior parte dos casos, apenas para o fim de semana), procuro sempre saber que modalidades jogam no pavilhão da Luz, pois o Sábado encontra-se reservado para isso. Faço esta referência para que percebam mais à frente algumas das coisas que digo.
Ao chegar ao complexo da Luz, cerca de uma hora antes do Voleibol começar, encontro amigos benfiquistas. Alguns partilham as minhas visões acerca do clube, outros nem por isso, mas todos estamos ali cheios de esperança de que o Benfica vai quebrar o enguiço desta vez. No entanto começo a ver um aparato policial nada habitual, mesmo para grandes eventos das modalidades. Posso-vos garantir que nem na final da UEFA Futsal Cup estavam tantos policias e assistentes de recinto (em rácio como é óbvio pois estiveram mais de 10.000 pessoas no Pavilhão atlântico em 2010). Até comentei com um amigo que se calhar o Bin Laden não tinha morrido e encontrava-se ali entre nós.

Entro para o pavilhão e aquilo não está cheio, mas encontra-se bem composto. A claque adversária está bem protegida pelo corpo policial e podem fazer de tudo. A policia encontra-se em todas as saídas do pavilhão e controla tudo o que fazemos. O jogo corre-lhes bem nos dois primeiros sets e é aqui que assisto a cenas que não acredito. Após muitas e muitas provocações da bancada adversária, há dois ou três adeptos que se passam e se dirigem em passo apressado junto da mesma. A policia presente na saída mais próxima intervém e gera-se um burburinho na bancada que por pouco não terminou com a entrada do corpo de intervenção. Por pouco que não senti na pele o efeito dissuasor do bastão. Os adeptos acalmaram-se um pouco e tanto quanto sei não houve mais escaramuças destas. Houve depois um reforço brutal de assistentes de recinto atentos a todas as movimentações dos nossos adeptos, gerando inclusivamente alguns atritos entre bancada e assistentes. Lamentável mesmo.
Enquanto isto tudo, os responsáveis do Sp. Espinho pavoneavam-se e provocavam a seu belo prazer quem se encontrava na bancada. A sensação que dá é que todos os adversários podem vir a nossa casa à vontade e fazer o que quiserem, que não terão qualquer tipo de resposta ou consequência. Também por aqui se explica o nosso sucessivo fracasso, ano após ano. 
Eu pergunto: qual a razão daquele aparato policial? Foi porque possivelmente haveria muita contestação ao presidente do clube? Foi porque somos uns bárbaros que não sabem viver em sociedade? Foi porquê?

Ainda por cima vi o jogo em Espinho pela TV, e vi bem qual o aparato policial ali. Inexistente é a palavra certa para o qualificar. Relatos do meu amigo Faneca, completam o filme. O tratamento dado aos nossos adeptos naquele pavilhão foi idiota, para não lhe chamar outra coisa. Onde estava a protecção policial naquela altura? Seguramente a preparar o que iria ser a mega operação de Sábado...

No fim de contas, este Benfica já não mete medo a ninguém, a não ser aos seus próprios adeptos. Eu tenho sorte, nem sofri na pele o que muitos antes de mim já sofreram. 

Depois disto, e da derrota, fiz questão de ficar mais um pouco e cumprimentar todos os jogadores. Embora não tenha ficado agradado com o seu desempenho (perder o 2º set é surreal), pelo que fizeram durante o ano, mereciam ao menos isso.

Em seguida dirigi-me ao estádio com um amigo, onde entrei já com 10 minutos de jogo. Normalmente sento-me a meio do piso 3 da bancada Meo, mas naquele dia por carolice e porque o estádio estava vazio, decidimos ficar pelas primeiras filas. Enquanto que os NN faziam o que fizeram, o publico ora assobiava ora  se calava. Como já me estalou o verniz há muito tempo, fui comentando as incidências do jogo e da bancada com o meu amigo. Um consócio meu, já farto de nos ouvir, virou-se para trás e perguntou-me o que estava eu ali a fazer. Após uma troca de palavras mais acesas, que incluíram uma critica ao meu comportamento critico e perguntas de como estava o Benfica antes de Vieira, bem como uma referência que o meu lugar não era ali (de facto não era), fiquei simplesmente sem reacção para aquilo que estava a acontecer, e fitei o meu consócio nos olhos em silêncio à espera que acabasse. Durante alguns segundos estivémos ambos em silêncio, alheados do jogo, simplesmente a olhar um para o outro. No entanto, ele lá se deve ter fartado daquilo e como que acordando abruptamente, avançou para o confronto fisico. Felizmente havia mais sócios por perto que fizeram questão de não deixar aquilo passar dali. É no entanto mau, muito mau, que uma voz critica como a minha (podia ter sido outro qualquer) seja ameaçada apenas e só porque não está de acordo com o rumo actual do clube e vai para o estádio manifestar essa opinião. Triste mesmo. A pluralidade que sempre houve e foi defendida mesmo em tempos muito mais negros que os de agora, parece completamente arrumada no baú das memórias. 

Para finalizar, não quero deixar de referenciar o que já aqui tinha escrito há algum tempo. Estamos transformados em facções dentro do clube. Parece que a todo o momento rebentará a guerra civil no Benfica. 

8 comentários:

  1. E a culpa dessa "guerra civil" deve ser imputada apenas aos defensores do Vieira? Ou achas que esses estão satisfeitos com as derrotas? Ou ainda, acreditas que em cima de tudo não lhes custará imenso ver e ouvir ataques, em nada diferentes dos adversários e por vezes ainda mais agressivos,dos que deveriam ser os primeiros a defender o Benfica? Perguntas...

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    1. Caro Burmelho,

      Respondendo por partes:

      1 - Para haver guerra cívil, devem existir dois lados da barricada. Nunca me leu qualquer coisa que não fosse nesse sentido. Claro que me parece que há muito extremismo de parte a parte (não só na defesa estapafúrdia, como no ataque rasteiro).

      2 - Quem defende o presidente da miséria que tem sido a sua actuação parece muito contente com o que se alcançou em 9 anos da sua presidência. Atenção que me refiro a quem culpa treinador, jogadores, dirigentes do futebol e árbitros, mas deixa o presidente de fora.

      3 - Deve-lhes custar muito de facto. Mas a critica que aponta verdadeiros males, tais como, apoios indevidos, má preparação e reacção, fuga das responsabilidades, etc, não deve ser temida por quem quer o melhor para o Benfica. Se Vieira corrigisse todas estas vertentes, seria um dos melhores presidentes que tivéssemos. Mas ano após ano teima em não aprender com os seus próprios erros.

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    2. Caro Danilo, obrigado pela sua resposta, que além do mais foi lúcida. É necessário haver oposição, sim, mas se fossem como a apresentada nesta resposta tudo seria mais profícuo para o Benfica. E concordo com grande parte da sua análise, mas detesto a guerra imbecil que por essa blogosfera se faz contra Benfiquistas que ainda apoiam o LFV. É que acaba por ser contraproducente e faz com que se acabe numa guerra de trincheiras que muito mal vai fazer ao Benfica.

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    3. Caro Burmelho,

      O facto é que o Benfica é cada vez mais um clubes de extremismos.
      Em minha opinião, muitos destes extremismos seriam evitados se o presidente tivesse outra postura.

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  2. As ilações que se tiram desta troca de panfletos e a de que os defensores sentem-se atingidos como se quem critica o presidente o fizesse ao Benfica. Nada de mais errado, o presidente e só uma pessoa, que momentaneamente, pelo menos durante a vida do clube, se encontra em funções mas não e o Benfica. O Benfica e o conjunto de sócios e adeptos e nada tem a ver com uma individualidade que de Benfica também tem pouca relação com a historia do clube. Pelo contrario tem mais tempo de associado de clubes, não adversários como deveriam ser, mas sim como inimigos. Quem ataca ataca Vieira, quem defende, ataca pessoa ou pessoas que por uma razão ou outra não tem cumprido com a sua primordial função que e a de defender o Benfica.

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    1. Caro Carlos,

      Se as pessoas substituíssem o nome de Vieira pelo de Vale e Azevedo e analisassem estas mesmas situações (finanças, estatutos, valores, atitudes, apoios, etc), as conclusões seriam certamente diferentes.

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  3. Uma coisa te posso dizer que aconteceu no Voleibol. Fui ver o jogo com as minhas filhas 4 e 8 anos e a minha mulher. A determinada altura a minha mulher vira-se para mim e diz... "é melhor sentares-te que estão 3 polícias a comentar algo sobre ti", qual o meu espanto que realmente quando olho para eles constato que um está de sobrolho levantado à espera que eu cometesse qualquer asneira...

    O que estava a fazer era simplesmente gritar muito no apoio ao Benfica e quando possível a tentar pressionar os jogadores adversários, algo que acontece em todo o lado.

    Abraço

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    1. Caro amigo António,

      Sei bem a que te referes, pois do meu lado (mesma bancada na outra ponta) passou-se o mesmo, tendo inclusivamente dois adeptos estado largos minutos em acesa discussão com o policia.

      O facto dos sócios e adeptos do Benfica serem tratados desta forma em nossa casa, é mau. Pois parece que somos nós os arruaceiros, os violentos, os maldosos. Parece até que quem governa e organiza isto, não está à vontade entre nós. Eu nem queria acreditar naquilo. A sério que não.

      É como dizes, o facto de se gritar para dentro do campo, de se insultar, de se apupar, de se gritar pelo clube, de se apoiar, é a coisa mais natural do mundo desportivo de alta competição. Criar o ambiente, o inferno ao adversário. Para isso serve o factor casa. Claro que há limites que não devem ser ultrapassados, mas porra, sermos controlados em nossa própria casa, como se fossemos um bando de marginais que têm de ser vigiados, não posso aceitar.

      Como o meu amigo Faneca muito bem me disse durante o jogo, somos uns anjinhos.

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