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terça-feira, 10 de abril de 2012

Viagem a Londres - II

Continuando a epopeia que foi ir a Londres sozinho.

13h: Chegada ao Yates local para um almoço e uma tarde de copos já em estágio. Chegámos lá e aquilo não tinha Luz. Como resultado tivémos que ir ao lado. A tarde passou-se bem e até tivémos um visitante do Crystal Palace. tempo para umas cervejas à moda londrina e para ver umas "camones" a fazerem inveja a muito macho desse Portugal...

17:30h: Saida do bar ao lado do Yates (nem nome merece). Rumo ao estádio para ver se ainda bebemos umas pelo caminho. Alguns perdem-se a meio à procura de bar abertos a benfiquistas. Junto ao estádio ninguém dos visitantes bebe.

19h: Entrada no estádio após revista minuciosa, e primeiras cantorias pré-jogo. Os adeptos adversários já mostram ao que vêm e sentam-se calados nos seus lugares. A malta acredita e puxa pelo glorioso. Duas horas de um hino ao bem apoiar. Mesmo com as contrariedades, a lutar contra mais adversários que os permitidos pelas regras, com o nosso público por trás a equipa transcende-se e joga ao ataque em parada e resposta. Sofremos um penalty justo mas que se fosse ao contrário não seria marcado, tivémos um jogador expulso em condições idênticas (como aliás se comprovou ao longo de todo o jogo) e por diversas vezes poderiamos ter sido arrumados pelo Chelsea. Chamou-se pelo Platini naquela altura. Perante os adeptos atónitos dos blues, a massa encarnada não desarma perante todas estas adversidades. Ainda se ouvem mais alto. O segundo do Chelsea não aconteceu nesta altura e o Benfica lutou até ao limite das suas forças, para sair de Londres com melhor resultado. Veio o golo do empate já merecido. E durante 5 minutos acreditamos todos que o milagre porque ansiámos está aí ao virar da esquina. A bola chega aos pés do Nélson e por instantes estamos lá, nas meias finais. Mas não é real. Os adeptos ainda puxam mais insistentemente no livre do Aimar, mas no contra-ataque o porco raul (não tem outro nome depois do que fez tanto em Lisboa como em Londres) mata a eliminatória com um pontapé fulminante. Acaba o jogo e a sensação é mista. Orgulho e revolta.

22h: Saida de Stamford Bridge e paragem já fora do estádio, pois um dos nossos "perdeu-se" ou perdeu-nos a nós. Temos tempo para ouvir provocações blues, mas a maioria dos adeptos são simpáticos, trocando cachecóis, dando bilhetes ou bandeiras. Umas das provocações versava sobre o silêncio encarnado fora do estádio, quando lá dentro se cantava. A resposta sai pronta: "Lá dentro onde conta estiveram muito caladinhos vocês".

22:30h: Despedidas dos meus companheiros de jogo, pois ali na zona não deixam entrar benfiquistas para uma pint. Sendo assim e porque tenho de sair pelo menos às 24h sigo directo para o carro rumo a Dover. Tive pena por não poder ficar mais tempo com eles mas a viagem é relâmpago.

00:30h: Chegada sem sobressaltos a Dover para embarcar no Ferry. Tenho de esperar até às 02:20h para embarcar por isso aproveito para dormitar e recuperar algumas forças para o que resta da viagem. Mais uma vez os Ferries são fenomenais e à hora marcada lá entro para uma viagem de hora e meia onde dormito mais um pouco. O Benfica assalta-me todos os pensamentos e por momentos nem sei se estou a sonhar ou acordado, pois ia jurar que já tinha marcado viagem para Barcelona. E para Munique.

05:20h: Partida de Calais para a etapa final nesta viagem. O Red Bull que trouxe de reserva é engolido nos primeiros 5 minutos. O Polo roda a 160 km/h em França e a 150 km/h já na Bélgica, para me manter alerta. A 120 km/h a estabilidade do carro é tanta que as curvas nos embalam. O cd do rádio é trocado para mudar do rock tuga para o electrónico francês. Ainda cantarolo umas estrofes do hino.

08:00h: Chegada ao destino final, de onde parti mais de 24 horas antes. Está decidido que hoje não vou ao escritório e trabalho daqui mesmo. Ainda tenho uma horita para descansar, antes de um dia extenuante. Apesar de tudo estou feliz. Revi amigos gloriosos e vi o Benfica mostrar que ainda é grande na Europa.

PS: Nem me apetecia escrever isto, mas por respeito a quem me lê (os poucos que aguentam) faz-se o esforço.

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