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quinta-feira, 12 de abril de 2012

O que fazer a Jesus?


Após a derrota de Segunda-feira, muitas são as interrogações à volta do futuro de Jorge Jesus à frente do Benfica. Fica ou sai?
  • Já vi muitos benfiquistas defenderem a saida como inevitável. O ciclo do treinador está esgotado e não não conseguem ver como regressaremos aos sucessos com ele ao leme da nau.
  • Já vi muitos benfiquistas defenderem o oposto e darem um segundo voto de confiança a Jesus. Trouxe-nos de volta aos grandes palcos europeus e mostrou em todas as épocas futebol de grande qualidade a espaços. Dizem que é o homem certo para a tarefa e que a mudar de treinador não poderá ser um de semelhante valia, mas muito melhor. O chamado consagrado.

Pessoalmente sou da opinião que Jesus só deve ficar perante um cenário. Independentemente do que se ganhe esta temporada (ou não), na próxima temporada o treinador terá obrigatoriamente de ver os seus poderes diminuidos. Não pode continuar a ser o "ditador" que é hoje. Terá de haver alguém acima dele com a responsabilidade final em matéria de contratações, dispensas, etc. Terá de ser alguém que perceba de futebol e que meta os travões no treinador na devida altura. Dando um exemplo muito simples disto. 
No primeiro ano de Jesus à frente do Benfica, quando confrontado com a escolha entre duas competições, o Campeonato e a Liga Europa, Jesus optou - e bem - pelo Campeonato. Caso tivesse perseguido a competição europeia, provavelmente não teria ganho nada. Já em 2010/2011 e 2011/2012 a escolha recaiu... em ambas as competições. Com os resultados que se conhecem.
Já este ano, acho inadmissível que após ter perdido 8 pontos em 3 jogos passando de uma vantagem de 5 pontos para uma desvantagem de 3 pontos (que eram 4), se tenha continuado a apostar forte na competição europeia. As mudanças de calendário efectuadas para acomodar os jogos com o Chelsea são a face visivel que não existiu uma opção definida e que se fosse necessário, o campeonato seria sacrificado. Atacaram-se ambas as competições, apesar de ser visível o declinio fisico e emocional da equipa a partir do jogo na Rússia. Nada se pode fazer perante as "teimosias" do treinador, pois no final do dia é ele que decide quem joga em cada jogo. Apenas tem de haver alguém que controle tudo o que é extra treino e jogo, pois está mais que comprovado que Jesus não pode ser esse alguém. Até certo ponto, Jesus foi tudo no Benfica (um pouco à semelhança do que foi Paulo Bento no Sporting)
Outro pormenor que acabou por se tornar em pormaior, foi o mercado de Inverno. Sairam Perez e Amorim, um em conflito com o clube e o outro em conflito com o treinador. Até aqui nada de errado, pois estas situações são bastante frequentes no futebol e a única falha que aponto na resolução foi o empréstimo de Amorim ao Braga. O problema aparece, quando não se colmataram devidamente estas saídas. Recordo que o Benfica tem sob contrato os jogadores Nuno Coelho, Airton, Wass, Carlos Martins e Filipe Bastos. Qualquer um destes (mal ou bem) poderia ser uma alternativa a Amorim no centro do terreno, permitindo mais rotações nos diversos jogos, nessa zona do campo, onde aliás se nota mais o cansaço acumulado. Face ao excelente campeonato que Nuno Coelho estava a fazer no Beira-Mar, às boas prestações de Filipe Bastos no Vasco da Gama, ou de Wass no Evian, não teria sido de bom tom chamar de volta algum (ou alguns) deles para reforçar o meio campo? A única contratação que fizémos foi Yannick que para mim é um extremo razoável e poderia ser adaptado a lateral direito com o tempo necessário para criar conhecimento do lugar. Para o centro do terreno não fomos buscar ninguém e como se tivesse sido uma partida feita de propósito, Javi Garcia lesionou-se pouco tempo depois. Coincidiu o nosso periodo mais negro da época com essa lesão, à qual o treinador não respondeu da melhor forma.

O constante e permanente auto-elogio que Jesus faz a si próprio é outra das coisas que tem de acabar. Não é admissível que a responsabilidade nas derrotas nunca (ou raramente) seja dele (à semelhança do que acontece com o presidente), mas quando há vitórias ele seja o primeiro a glorificar-se. Passa também por aqui o insucesso: muita bazófia, quando se pede mais trabalho e menos palavreado.

Até que ponto conviviria Jorge Jesus com alguém que lhe apertasse os calos? Não sei bem, mas como homem de futebol muito experiente que é, parece-me que, embora contrariado, veria os méritos disso.

Caso na próxima época não haja alguém assim (e não é o Carraça ou o professor Manuel Sérgio), então a continuidade de Jesus só conduzirá a mais do mesmo.

2 comentários:

  1. Na minha opinião ele tem de sair, os erros são sempre os mesmos. Só peço um bom treinador e uma boa gestão da próxima época... "só".

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  2. O que fazer a Jesus? Crucifiquem-no! E aviso já que lavo daí as minhas mãos...

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