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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Liga de brincar?

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional, criada para organizar e gerir os campeonatos nacionais profissionais de futebol de onze, está cada vez mais transformada numa liga do faz de conta.


  • Alargamento

O último episódio, aconteceu na semana passada, quando o líder Gilista decidiu afirmar publicamente, que o actual presidente da Liga, garantiu a vários clubes que este ano não descia ninguém à 2ª Liga, fruto do alargamento que quer impor. 
É anedótico pensar que isto não tem quaisquer implicações nos campeonatos em curso. A título de exemplo, à 16ª jornada a diferença entre 5º (Marítimo) e 6º (Vitória SC) é de 9 pontos. A diferença do 6º para o 15º (Vitória FC) é de 6 pontos e para o 16º (P. Ferreira) é de 8 pontos. Como se pode observar, num campeonato destes, que é claramente nivelado por baixo, que espectativas podem os adeptos ter, em relação à maioria dos clubes? 
A resposta é nenhumas, pois embora a "liberdade" de não ter de amealhar pontos para fugir à despromoção esteja presente, a grande maioria das equipas não está formatada para "jogar bonito". Os jogos terão ainda menos interesse visto não estar absolutamente nada em jogo. Abrirá isso sim a porta (ainda mais) a jogos de bastidores na luta pelos lugares cimeiros, com as já famosas malas a circular.


  • Bilhética

A liga também faz de conta que legisla e gere.
São casos e casos, ano após ano, de clubes que inflacionam os preços normalmente praticados nos seus recintos quando recebem o Benfica. A famosa onda encarnada é motivo para inflacionar ainda mais os preços já de si caros. 
É perfeitamente justificado ter um preço mais elevado para um Beira-Mar vs Benfica do que para um Beira-Mar vs Gil Vicente (com todo o respeito para ambas as equipas), pois a qualidade do espectáculo é (em teoria) melhor no jogo envolvendo o Benfica. 
O que não tem justificação (a não ser pela ganância e pelo aproveitamento claro da lealdade benfiquista) é que um jogo Feirense vs Benfica custe o dobro de um jogo Feirense vs Porto. É que a única diferença entre ambos os jogos está na lealdade, fé e mística encarnada que só em sonhos poderia ser igualada por qualquer dos rivais. Características essas que impelem os benfiquistas a encher estádios, mesmo pagando (muito) mais que os outros.
A liga atribui um de três níveis a cada estádio vistoriado conforme apresentado no ponto 1 do artigo 65º do capitulo VI. Uma medida que está no regulamento a usar na época  2011/2012 mas só é suposta entrar em vigor na época 2012/2013. Um verdadeiro hino à desresponsabilização. 
Na alínea d) do ponto 2 do artigo 84º do capitulo IX está definida uma espécie de indexação do preço máximo dos bilhetes que para os clubes da 1ª Liga é de 65€ se o estádio for de nível 1, 45€ se o mesmo for de nível 2 e 30€ se o mesmo for de nível 3. Era interessante ver qual o nível atribuído ao Marcolino de Castro...


  • Fiscalização
A liga, no inicio de cada época desportiva, "fiscaliza" (ou melhor, faz de conta que fiscaliza) os clubes que se propõem competir nas duas ligas profissionais, nomeadamente em termos de recintos desportivos e de condições para aguentar uma equipa profissional durante a época. Na realidade a fiscalização é uma treta, pois são enúmeros os recintos sem condições básicas e também enúmeros os casos de clubes sem dinheiro para pagar salários aos seus profissionais. O último caso conhecido é o do Vitória SC, pela voz do Nuno Assis.
Onde está a fiscalização da Liga? Não era suposto os clubes terem um orçamento aprovado ANTES de se iniciarem as competições? Segundo o disposto no Decreto-Lei n.º 303/99 de 6 de Agosto, era. 
A fiscalização neste (e em tantos outros) caso deixa muito a desejar. O mesmo se passa em relação às prestações tributárias, onde já há casos onde pura e simplesmente se ignoraram estes regulamentos e Decretos-Lei.

Também a questão da publicidade nas camisolas é um dos maiores testemunhos à incapacidade (será mesmo isso?) da Liga em fiscalizar os clubes. No ponto 11 do artigo 45º do capitulo IV do regulamento está explicitamente dito o seguinte: "A publicidade deve enquadrar-se com as cores do equipamento e não pode ter qualquer efeito crítico para os jogadores, árbitros, árbitros assistentes, dirigentes, técnicos e espectadores.". Praticamente todos os clubes têm publicidade nos seus equipamentos que não respeitam este simples artigo. E outros haverá porventura, que também não são respeitados...

Casos de (in)disciplina também é o que não falta no historial da Liga ao longo dos anos. Seja a absurda e díspar punição de jogadores com sumaríssimos, seja a completa desculpabilização de actos violentos nos recintos de futebol (caso do Diabo de Gaia na Luz, casos das bolas de golfe no Dragão e Municipal de Braga, lasers apontados aos jogadores na Luz e em Alvalade, etc), sejam ainda as constantes afirmações públicas de dirigentes dos clubes, a inflamar os ânimos antes de qualquer jogo, tudo isto (e muito mais) passa em claro, dando a sensação de impunidade aos clubes, gerando a inevitável escalada de violência a que temos assistido nos últimos anos.


Em suma, a entidade eleita pelos clubes e com a missão de zelar pelo bom funcionamento das competições, garantir a sobrevivência da indústria e sua expansão, não é mais que uma fachada para dar a cara de vez em quando. Na maior parte dos casos, nem sequer é necessário regulamentar, pois os regulamentos já contemplam as situações vividas ano após ano. É necessário essencialmente, aplicar os regulamentos independentemente das pressões sofridas. 
Em minha opinião, os membros da liga, são autênticos fantoches, apropriados para a Liga de brincar.

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