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segunda-feira, 6 de maio de 2013

A questão dos bilhetes para as finais da UEFA


É absolutamente inadmissível, a forma como tem sido gerida a venda dos bilhetes para as finais das competições da UEFA. O que se segue é relativo à Liga Europa e à final deste ano, mas passa-se exactamente o mesmo na Liga dos Campeões. Estima-se que meio milhão de adeptos do Dortmund se tenha inscrito para comprar bilhetes ao clube. A esmagadora maioria vai adquiri na candonga...

Começa logo pela UEFA, que permite que de uma assistência total de 52.342 lugares, apenas 9.780 bilhetes tenham sido enviados para a Luz. É apenas 18,7% da lotação do estádio. Admitindo que o Chelsea recebeu igual quantidade, ficamos com 37,4% dos bilhetes atribuídos aos clubes participantes na final (e aos seus adeptos directamente). Não há palavras que descrevam tamanha injustiça.

Para onde vão os restantes bilhetes? Relevo agora que são cerca de 33.000 os que sobram, correspondendo a 62,6% da lotação. Muitos vão para os patrocinadores, que fazem mega campanhas sujas e desprovidas de sensibilidade, com o intuito de aumentarem as suas vendas. Não os censuro muito pois quem tem o dever de zelar por isto tudo é a própria UEFA e esta apenas encoraja estas situações.
Segundo rumores que vão surgindo aqui e ali, este valor andará à volta dos 10% (neste caso cerca de 5.000 bilhetes).

Sobram cerca de 52% da lotação, isto é, cerca de 28.000.
Assumindo que cerca de um milhar destes (e são os mais caros de todos) são atribuidos a membros da UEFA ficam a sobrar 27.000.
E aqui é que se começa a ver a injustiça disto tudo. A quase totalidade destes bilhetes que sobram, são vendidos pela UEFA até Janeiro. Mais de 4 meses antes da final ou de se conhecerem os finalistas... Para se ter noção é mais que o atribuído aos dois clubes participantes na final.
Normalmente existem dois tipos de pessoas que compram (ou melhor, se candidatam a comprar) estes bilhetes.
1. Os do primeiro tipo, são fans incondicionais dos seus clubes, que creem cegamente na chegada da sua equipa à final.
2. Os do segundo tipo, são a larga maioria e apenas se interessam por obter o máximo lucro possível com a revenda dos bilhetes.

O incentivo ao mercado negro é por demais evidente... As equipas que efectivamente chegam à final recebem 37,4% dos bilhetes para distribuir directamente pelos seus adeptos. 50% dos bilhetes são vendidos a quem se inscrever, independentemente de tudo, inclusivamente o facto do seu clube não participar na competição. É ainda absolutamente abjecto constatar que são mais os adeptos que têm de recorrer ao mercado negro que aqueles que adquirem o seu ingresso pelas vias normais. É tudo tão mafioso e desprovido de bom senso, que me espanta continuar a ser desta forma ano após ano.


Finalmente chega ao Benfica, que também tem algumas culpas no cartório...
Após todas as vicissitudes descritas anteriormente, o Benfica recebe 9.780 bilhetes da UEFA para vender nas suas bilheteiras. Após ordens da UEFA (segundo o comunicado da passada semana relativo à venda dos bilhetes), o Benfica criou três dias de compra de vouchers distribuídos para os diferentes tipos de RedPass. Regras simples e claras que embora muitos não concordem, têm o meu total apoio. Os que mais vêm o Benfica (e o Benfica só pode ter dados relativos aos jogos em casa) deve ser premiado com direito de preferência nas alturas em que há escassez de bilhetes. Na forma como eu vejo o Benfica nem pode ser de outra maneira.
O que se passa é que existe uma "quebra" destas regras, não só com a entrega de bilhetes "à malta do croquete", como com o direito de preferência a estender-se aos grupos de apoio. Quanto aos bilhetes atribuídos à malta do croquete, nem tenho palavras. Quem se aproveita todo o ano do Benfica deveria ser o último a ter benesses destas. Não se sabe ao certo quantos bilhetes voaram, mas são certamente umas centenas a menos de benfiquistas com possibilidades de irem a Amesterdão.
Quanto aos grupos de apoio, mais uma vez reforço que não sou contra este direito de preferência. Eles merecem. Correm todo o ano atrás do nosso grande amor, marcando presença sempre no Estádio da Luz e nos Estádios por esse pais fora. Faça chuva ou faça sol.
Agora as coisas têm de ser claras desde o inicio. Não se podem criar espectativas falsas nas pessoas, sob pena de existirem tanto revolta como frustração, que depois criam distúrbios totalmente desnecessários. Devia ter sido tratada de outra forma.

Acabo este artigo dizendo, que no meu caso pessoal, não me afectará sobremaneira ter de recorrer ao mercado negro, para obter os bilhetes que quero para a final. Estou, ao contrário da esmagadora maioria dos meus compatriotas de nação benfiquista, com algum à vontade financeiro para não sofrer muito com isto. Mas o principio que sigo é o da igualdade de tratamento entre todos. E aqui desde a UEFA (grande culpada disto) até ao Benfica (com menos culpa), parece que consideram existir alguns mais iguais que os outros.

3 comentários:

  1. " Estima-se que meio milhão de adeptos do Dortmund se tenha inscrito para comprar bilhetes ao clube. A esmagadora maioria vai adquiri na candonga..."
    Será que vai? Onde há um estádio que albergue uma maioria de meio milhão?

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    Respostas
    1. Cara Águia,

      Refiro-me obviamente ao facto da maioria dos adeptos do Dortmund em Londres, ir obter o seu bilhete via candonga. Como é óbvio, não penso que os 500.000 consigam bilhete, porque tal é impossível.

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  2. Pois é! De todo este imbróglio o que mais me preocupa é:
    1 - Esta tontice de venda de bilhetes em Janeiro o que obviamente é um forte apelo à candonga.

    2 - Os bilhetes desviados para os oportunistas e chulos habituais, para os familiares e amigos destes, enquanto os benfiquistas se vêem privados de adquirir um bilhete a que tem direito.
    É mais que tempo de acabar com isto. Quem quer ir à bola, pague!

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