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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Então vende-se ou não?

Depois da venda de Matic, foram muitos os rumores e informações veiculados em toda a especie de veículos de comunicação. Apesar de toda a "informação" e "contra-informação", a verdade é que até ao dia de hoje, ultimo dia de transferências em Portugal, ainda não saiu ninguém. Esperemos que não surjam novidades inesperadas de ultima hora neste dia, e que o plantel se mantenha inalterado.

No entanto, existem vários países onde o mercado fecha mais tarde, pelo que as saídas não estarão totalmente descartadas. Espero no entanto, que assim que a "nossa" janela de mercado fechar, não saia ninguém. Guardem o resto das vendas para o final da época se fazem o favor.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A boa aposta na formação

No passado Sábado, o Benfica apresentou muitos jovens da sua formação no jogo frente ao Gil Vicente. O jogo já não contava para absolutamente nada, e era a oportunidade ideal para se lançar pela primeira vez alguns dos jovens e dar mais minutos a outros. É esta a gestão das nossas jovens promessas que se pede, tendo em conta diversos factores que influenciam os seus desenvolvimentos e rendimentos. Primeiro porque o jogo era a feijões, pelo que eles poderiam falhar (como falharam) sem riscos. Segundo, porque lhes retirou qualquer pressão de terem de entrar para resolver. E finalmente, terceiro, porque serve de motivação para eles e para outros que aspirem a chegar ao topo.

Tudo isso foi feito, com bastante sucesso diga-se. A equipa, cheia de segundas linhas, apresentou-se compacta e solidária, com os jogadores a corresponderem da melhor forma. Foi um jogo muito bem conseguido da nossa parte e a má exibição do Gil Vicente explica-se, em parte, pela nossa atitude no jogo.

Quando eu peço uma aposta na nossa formação, a minha opinião baseia-se em três pontos fundamentais.

1. Dar minutos de competição aos jogadores jovens, em jogos a feijões, já resolvidos ou amigáveis. De modo a que eles possam entrar na dinâmica da equipa gradualmente, e não sendo lançados às feras e queimados à primeira oportunidade. A menos que tenhamos um verdadeiro fora de série - e neste momento acho que apenas um se aproxima desse estatuto (Bernardo Silva) - é esta integração gradual que preconizo.
2. Não tapar as posições dos nossos jovens jogadores no plantel, com contratações de ocasião. Jogadores que muitas vezes contratamos, vão ter as mesmas dificuldades (ou ainda mais) que os nossos jovens para entrar na primeira equipa. 
3. Gerir da melhor forma possível a comunicação em relação à formação. Não é dizendo todos os anos que a aposta é a formação enquanto se contratam 20 caras novas por época, que se valoriza a formação. 

No meu entender, este jogo com o Gil Vicente, é o caso paradigmático de como deve ser gerida a formação. E se isto fosse a regra e não a excepção, era tão bom para o Benfica.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Aposta na Formação (mais uma)

O link em baixo leva o leitor para uma noticia publicada no site do clube, acerca da assinatura de contrato de alguns dos jovens da nossa formação.


Da noticia, destaco a frase do presidente, em que ele admite que esta "cerimónia" já podia ter acontecido mais cedo, mas que devido ao sonho da Liga dos Campeões, ficou adiado até agora. Posso depreender então que caso ganhássemos a referida competição, a cerimónia nunca ocorreria este ano? Surreal...

Este episódio é apenas mais um capitulo, na longa história da "aposta na formação" que se faz no Benfica actualmente. Ao ler a noticia, só me lembrava da mega apresentação do futuro do Benfica, com noticias na BTV e capas de jornal com os 4 jovens que iriam ser o futuro do Benfica.
Talvez os leitores também se lembrem da imagem abaixo.


Da esquerda para a direita, Nélson Oliveira, Rúben Pinto, David Simão e Miguel Rosa. Isto foi em 2011 e de então para cá, o único jogador a ter algumas oportunidades (a espaços) na equipa principal foi Nélson Oliveira na época de 2011/2012, e mesmo ele nunca foi aposta regular. Ruben Pinto, David Simão e especialmente Miguel Rosa, nunca se impuseram na equipa, apesar de mostrarem o mesmo ou mais que muitos dos jogadores que o Benfica contratou para serem segundas linhas.
Miguel Rosa andou anos a ser, de longe, o melhor jogador da segunda liga, com prémios atrás de prémios ao serviço do Belenenses e do Benfica B. Nunca mereceu sequer andar nos escolhidos para ir pelo menos para o banco de suplentes.

Sinceramente, sempre que leio estas noticias (que aparecem ciclicamente) penso "Será desta? Será que algum deles será aposta?". E quero sempre acreditar que sim, que pelo menos um ou dois vão ser úteis ao clube. Que veremos enfim, concretizada esta "promessa" de vermos um Benfica mais português. Porque sendo honestos, muitos destes jovens, têm potencial e qualidade suficientes, para pelo menos serem segundas linhas, ao invés de se contratarem 20 jogadores todas as épocas. Dando exemplos concretos, para se perceber qual o ponto que estou a tentar fazer passar.
  • Será que Miguel Vítor era inferior a Jardel?
  • Será que Nelson Oliveira era inferior a Jara?
  • Será que Miguel Rosa era inferior a Bruno César?
As comparações, são feitas com jogadores que foram apostas regulares no tempo em que cá estiveram (sendo que Jardel ainda faz parte do plantel) e em minha opinião, os nossos jovens não fariam pior que os referidos estrangeiros. 

Aliás, na actualidade a gestão que tem sido feita pelo treinador é absolutamente patética. Em especial com André Gomes, que é chamado a frio para jogos grandes, e depois, quando até pode fazer uns minutos em jogos mais acessíveis e de grau de dificuldade mais baixo, entra nos descontos, quando o jogo já está resolvido à muito.

Para finalizar, esta matéria é apenas mais uma entre as que mostram uma grande diferença entre as palavras e as acções.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Falemos então de bola

"Ano novo, vida nova", diz o ditado popular.

Espero recomeçar a escrever mais regularmente aqui no blog, que entretanto foi ficando um bocado esquecido com a minha decisão no inicio da época.

Assuntos para discutir são muitos mas hoje gostaria de partilhar convosco a minha visão acerca de três deles.
  1. O novo serviço de pay-per-view oferecido pelo Benfica a quem está no estrangeiro. 
  2. A qualidade do futebol praticado pela equipa profissional.
  3. O impacto que podem ter as saídas em Janeiro

O serviço disponibilizado nos últimos dois jogos em casa, tem tudo para ser um sucesso. Há que ter alguns aspectos em atenção, mas é uma iniciativa que saúdo com muito agrado. O valor é capaz de parecer algo elevado para quem está em Portugal, mas acreditem que para alguém que trabalhe e/ou viva no estrangeiro, é até bastante razoável. Ainda para mais se esse alguém for sócio.
Tive alguns problemas no jogo com o Porto, ocasião em que simplesmente não me consegui ligar ao serviço, mas não esmoreci e neste último domingo pude assistir ao jogo com o Marítimo, numa apreciável qualidade HD durante quase todo o encontro. Obviamente que há sempre algo a melhorar e este serviço não é excepção, mas é um projecto que orgulha qualquer benfiquista.

O Benfica tem praticado esta época, um futebol mais lento, mais mastigado e não tão exuberante quanto alguns períodos dos anos anteriores. Mas desde que mudámos de Guarda-Redes, deixámos de sentir aqueles apertos quando a bola se aproximava da nossa baliza. Não sei se será apenas o efeito da saída do Artur, mas o que é certo é que nos últimos 6 jogos, não sofremos qualquer golo. Uma clara melhoria face ao que estamos habituados nas equipas de Jesus. Para isso muito contribuiu uma menor envolvência atacante dos nossos laterais, mais preocupados em defender a sua zona, do que aparecer na zona do ponta de lança. Queixam-se alguns de que o espectáculo é pior, mas para mim deveria ser quase sempre assim.

As saídas no mercado de Inverno de jogadores influentes é sempre de evitar. Geralmente neste período reforçam-se posições mais carenciadas, ou contratam-se futuros substitutos a pensar nas vendas do mercado de Verão. Ao que parece este ano, o Benfica foi "obrigado" a abrir mão de alguns dos seus mais valiosos activos, sendo certo que Matic já saiu, enquanto outros se perfilam para o fazer nos próximos dias. Os mais falados são Garay e Rodrigo, sendo que não é liquido que isto pare por aqui.
O grande impacto é que, a menos que a SAD vá gastar milhões em indiscutíveis para o onze, coisa que aparentemente está "proibida" de fazer, vamos ter de procurar soluções internas. A alternativa a Matic já cá está e dá pelo nome de Fejsa, sendo que a sua contratação em Agosto ultimo, parece ter sido à medida da saída do compatriota. Nada a dizer acerca da solução encontrada neste caso, pois o substituto teve tempo de se ambientar ao clube e aos país, sem grandes pressões. Fossem todas as "substituições" como esta.
Para os que eventualmente saírem entretanto, lembro que o nosso presidente afirmou recentemente que apenas para as posições de DE e PL não tínhamos substitutos internos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O King morreu mas não desapareceu

Morreu Eusébio. 


Nem acredito que o estou a escrever, confrontado com a mortalidade de um daqueles mitos que julgamos eternos e imunes às leis que governam os comuns mortais, mas é mesmo verdade. O coração de Eusébio cedeu finalmente, após alguns ameaços anteriores. Segundo relatos vindos a público, o King, alcunha carinhosamente dada ao Pantera Negra (mais outra), perdão, a Eusébio, morreu em casa.

Foi em choque que recebi a noticia, tão chocante como devastadora. Como sabem, tenho tirado algum do tempo que dava ao Benfica, para fazer outras coisas, e no Sábado não acompanhei o jogo da Taça com o Gil Vicente. Quando, no Domingo depois de almoço, procurei nos sítios habituais pelo resultado e pelos golos, fui surpreendido pelas manchetes e declarações, pelas fotografias "gigantes" dos remates de Eusébio, em tardes e noites tão memoráveis. A principio, nem assimilei a morte do King, tão vidrado fiquei nas fotos dele. Ainda demorei uns bons 5 minutos a admirar cada remate, naquele gesto tão "eusebiano" da perna estendida depois de mais um tiro ao seu alvo preferido.

Ao ler as diversas declarações de circunstância não posso deixar de frisar duas. 
  • A de Pinto da Costa, elegante o suficiente para não entrar em ataques nesta altura, frisando o que de bom Eusébio trouxe a Portugal. Continua a ser um inimigo, ninguém tenha dúvidas.
  • E a de Mário Soares, reles e despropositada. O antigo governante, foi demasiado mau e acrescenta mais uma patifaria ao rol do que têm sido os seus últimos tempos.
Conheci o Eusébio pessoalmente uma única vez, no centro comercial Fonte Nova (em Benfica), quando ao vê-lo me agigantei e me dirigi à mesa onde almoçava tranquilamente com amigos. Foi simples e humilde, e embora não me lembre exactamente das suas palavras, lembro-me bem do sentimento que senti ao ouvi-las. Eusébio era O símbolo do Benfica. O seu nome confunde-se já com Benfica, sendo murmurado a cada vez que um benfiquista se apresenta no estrangeiro. A este respeito, convido todos os leitores a lerem este brilhante texto no blog RedPass. Podem aceder ao texto no link em baixo:

Os exemplos da sua importância, não só para o Benfica ou para Portugal, têm sido mais que muitos nas últimas horas e demonstram para lá de qualquer dúvida a grandeza de Eusébio. Foi sem falsos pudores um dos melhores de sempre, neste desporto das massas. Sonhou e fez sonhar quem o viu, numa mistura de ilusão e realidade. Era o denominado fora-de-serie.

Tenho imensa pena que o Benfica dos últimos (largos) anos, não tenha estado à altura. Por razões que não interessa agora revisitar, o Benfica de Eusébio e companhia parece cada vez mais um sonho distante que alguém teve um dia e de que se guarda boas recordações. Em jeito de resolução de ano novo, acho que quem manda no Benfica comercial deveria reflectir, nesta hora de pesar, se o Benfica actual é condizente com aquele que Eusébio e tantos outros ajudaram a construir. Seguramente veriam algumas coisas que simplesmente não têm lugar nesse Benfica de Eusébio.

Não sou religioso, nem acredito na vida depois da morte, mas é bonito pensar, que caso esteja enganado, estará nesta altura a ocorrer o derby dos derbies, com Eusébio e Damas frente a frente mais uma vez.

Morreu ontem Eusébio mas a lenda é eterna.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pedidos de Natal

Querido Pai Natal,

Para este Natal gostava de receber os seguintes presentes:

  • Um presidente que ame verdadeiramente o clube.
  • Um treinador que seja humilde e competente.
  • Jogadores que suem o litro pela camisola que vestem, Que tenham sempre a atitude correcta em qualquer jogo.
  • Adeptos que não se resignem à má sorte e que almejem a algo mais.

Eu sei que é pedir muito, Pai Natal. Eu sei. Mas não achas que já paguei o suficiente nestes ultimos largos anos para ter direito a estas prendas?

PS: Esta é para ti Rui!

domingo, 29 de setembro de 2013

Porque continuo em ano sabático deste Benfica


Benfica: Mais um jogo que não vi e mais uma vez que dei o tempo por bem empregue.

Mas como nunca conseguirei ficar indiferente a este clube, aqui ficam umas notas que talvez expliquem porque nos encontramos assim.

  1.   Sem exigência nos sócios, não há exigência em quem dirige. São estes os maiores culpados. Deixam-se comprar com palavras bonitas e promessas levianas. Não ganhamos dois campeonatos com o pássaro na mão e vêm falar de Champions? Temos grandes vendas, mas os prejuízos aumentam sempre. Que assim continuem que o Benfica desaparecerá definitivamente...
  2.   Ter um presidente que em dois meses se contradiz 50 vezes é de génio mesmo. Nem podia ser inventado. O homem que não fala de arbitragens e que só aparece nas derrotas, lá veio dar (mais) uma entrevista assim que se reduziu a diferença pontual para o Porto... Só podia dar mesmo merda. Ainda por cima quando na entrevista à BenficaTV disse o contrário em muitas matérias... A espinha dobra mas não dobra sozinha...
  3.   O que agora se passa no futebol do Benfica já era esperado. Quase todos viram que não havia condições para o técnico continuar. Mas continue-se a pagar um salário principesco para ter resultados medíocres. É o "novo" Benfica em todo o seu esplendor... Dar de mamar a muita gente com prejuízos constantes para o clube
  4.   Mais uma semana em que há ajudas ao Porto e o Benfica é prejudicado. Mas queixar-mo-nos das arbitragens parece não ter sentido quando se apoia (e continua a apoiar) um corrupto (ainda agora recebeu o merecido Dragão d'Ouro). Quando se refere várias vezes que agora os árbitros estão muito melhores. que se impediu um golpe de estado na arbitragem. que o Proença até é um gajo porreiro. Quem não tem poder absolutamente nenhum queixa-se, mas que efeitos práticos tem isso quando ninguém leva o presidente do Benfica a sério?
  5.   Quando daqui a meia dúzia de anos o Porto nos ultrapassar em títulos de campeão, "ninguém" achará estranho ou sequer se revoltará. Foi dos árbitros dirão em uníssono... Foi do tempo. É do treinador. É dos jogadores. Afinal quem poderá julgar quem governa pelos títulos não conquistados? (aparatosos por sinal)

É com tristeza que vejo que cada vez mais isto me faz mal. Muita tristeza em verificar que afinal o melhor foi mesmo desligar-me disto, porque afinal de contas, perder anos de vida com frustrações atrás de frustrações, sendo contra quase tudo aquilo em que se transformou o clube, e não vendo que o panorama vá mudar nos tempos mais próximos, é de um ser louco e masoquista. Como não sou nenhum dos dois assim continuarei de ano sabático. É o que este Benfica me merece.

PS: As quotas do clube continuarão a ser integralmente pagas, como tem de ser.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Encerrado para férias

Venho por este meio informar (por esta altura já repararam) que vou de férias.
Umas férias que provavelmente durarão até Junho do próximo ano.

Um abraço a todos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A entrevista que faltava

Acabei de rever a entrevista de Jorge Jesus a José Eduardo Moniz (folgo em ver que a ausência da AG foi só um blip) e só me apetece dizer o seguinte:

  • JEM é de facto um bom jornalista. Fez as perguntas que tinham de ser feitas. Fez as perguntas que eu e arrisco dizer a esmagadora maioria dos benfiquistas fariam a Jorge Jesus.
  • Jesus é isto e não mudará. Bazófia, bazófia e mais bazófia. Se no inicio era giro, agora já passou completamente de moda e tornou-se apenas embaraçoso.
  • A incompetência que grassa no Benfica é notória a cada aparição publica, a cada comunicado, a cada palavra lançada ao vento.
    • Jesus não sabe que Oblak já conta como formado localmente. Não sei se ria se chore, mas sei que Oblak não fará parte do clube enquanto Jesus lá estiver.
    • Jesus anuncia contratações em primeira mão (e a entrevista não foi em directo, por isso tinham mais que tempo para a analisar e retirar a frase que disse) como se não fosse nada importante revelá-lo primeiro oficialmente.

Para 2013/2014 nada mudou. Saem algumas personagens, entram outras, mas os actores principais mantêm-se todos em funções sem qualquer perspectiva de mudança de comportamentos errados ou ideias erróneas. É um oceano em que se navega à vista, fugindo das responsabilidades como quem foge de uma tempestade.

Definitivamente, cada vez mais descrente num sucesso em Maio de 2014.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A ditadura no Benfica

Na passada sexta feira (finalmente!!), fui um dos que marcou presença na AG de votação do Orçamento do clube para 2013/2014. Como todos sabem eu sou oposicionista desta direcção. Não acredito minimamente em Luis Filipe Vieira e seus pares para levarem o Benfica ao lugar que merece.
No entanto, nunca imaginei nos meus piores pesadelos que isto tivesse chegado a este ponto. Para quem não foi (por não querer ou não poder), perderam uma excelente oportunidade de ver como se desrespeitam os sócios de forma absolutamente abjecta.

Antes de mais, deixem.me só referir que o orçamento foi apresentado pelo vice-presidente Nuno Gaioso, o qual sinceramente me surpreendeu pela positiva. A apresentação foi clara e concisa e demonstrou abertura para esclarecimento de dúvidas que pudessem existir.
O orçamento foi aprovado com 55% de votos a favor, mas se tivesse sido chumbado, o resultado seria exactamente o mesmo. Eu votei contra, para demonstrar esse mesmo "aparente paradoxo".
Nada se passaria, pois os sócios do clube já não têm nenhum poder decisório, sem ser em eleições. É triste ver sócios conformados com este papel de meros clientes do clube.

Passando aos acontecimentos da AG, devo referir que fui o primeiro sócio (excluindo os membros dos órgãos sociais) a falar e a expor as minhas duvidas acerca do Orçamento proposto. Em traços gerais fica aqui o essencial da minha intervenção (sem recurso a papel de discurso)

Comecei por referir o que de bom tinha visto:
  • A tentativa de dotar as modalidades de todas as condições apesar das quebras de receitas com patrocínios e quotização.
  • A diminuição acentuada da parcela de quotização atribuída à SAD.
  • A alocação de 10% das receitas de quotização para as modalidades (sem contar com a quota modalidades)
Todos estes aspectos seriam bastante animadores, numa altura de terrível crise no nosso país. E eu acho muito bem que se faça o esforço, pois o ecletismo no Benfica é uma imagem de marca e os sócios e adeptos gostam sempre de ver os seus atletas.

Passei depois aos aspectos onde tinha algumas dúvidas:
  • Na mensagem do presidente, presente na proposta de orçamento, estava escrito que o novo Museu Cosme Damião abre já em Julho ao público. No entanto, e apesar de em anos anteriores existir receita contabilizada, neste orçamento não se vislumbra qualquer receita proveniente do museu ou das visitas ao estádio. Questionei se o museu iria ter entradas gratuitas (o que não me parecia plausível) ou se as receitas estariam agora afectas a uma das participadas.
  • Questionei também o vice-presidente Nuno Gaioso, que em Outubro passado se orgulhava enormemente do clube não ter passivo bancário, com o facto de estarem previstos gastos e perdas financeiros (juros) no valor de 400.000€. Que empréstimo teve o clube que fazer?
  • Finalmente, questionei a direcção acerca do facto de em 2010/2011 e 2011/2012 os orçamentos projectarem lucros modestos, mas os R&C correspondentes apresentarem prejuízos elevados. Que garantias nos podiam dar de que isso não se passaria com este orçamento.
Após mais intervenções (muito melhores que a minha), o vice presidente Nuno Gaioso voltou ao palanque para esclarecer as duvidas e questões dos sócios que falaram em relação ao orçamento. Deixo em baixo em traços gerais, as respostas às questões que fiz.

  • As receitas do museu Cosme Damião ficarão afectas à Benfica Estádio.
  • O empréstimo contraído pelo Benfica Clube, foi à Benfica Estádio, para pagar as obras do museu.
  • Garantias de execução orçamental não as podia dar, pois os resultados apurados no R&C tinham também em conta as empresas participadas que influenciavam decisivamente esses mesmos resultados.
E se até aqui tudo tinha decorrido com a maior das normalidades, a partir deste momento foi o descalabro. 

Deixem-me colocar um pequeno aparte nesta altura para que percebam de onde vêm as minhas considerações seguintes - Uma discussão de orçamento pressupõe no meu entender uma trocas de ideias e argumentos entre sócios e direcção até que todas as dúvidas estejam esclarecidas. Isto implica o direito de resposta de ambas as partes que se necessário fazem a discussão prolongar-se no tempo.

Quando o vice-presidente discursava pela segunda vez, dando as respostas que entendeu convenientes às dúvidas dos sócios, Bruno Carvalho dirigiu-se à mesa da AG para solicitar o direito de resposta a algo que o vice-presidente tinha dito. Este pedido foi prontamente negado por Luis Nazaré. O mesmo, revelou em modo sucinto qual a pretensão de Bruno Carvalho, não lhe dando o direito a responder. Segundo ele para não demorar muito os trabalhos. De imediato alguns sócios demonstraram o seu desacordo relembrando Nazaré das discussões magnas que duravam até as 4 e 5 da manhã. Outros houve que questionaram se estávamos em presença de uma ditadura. Nazaré explodiu e lançou um sonoro "- Vocês sabem lá o que é uma ditadura!". Mais ânimos exaltados. E Nazaré continuou a não dar o direito de resposta aos sócios que ainda tinham duvidas. Eu tinha algumas, mas face à postura de Nazaré, não me foi possível questionar mais a direcção. Tudo para agilizar o processo. Nesta altura parecia que Nazaré tinha algo a fazer naquela noite e que não se podia demorar na AG.

Deixo aqui as questões aos meus leitores, para que possam pensar e reflectir sobre elas. Se chegarem a alguma conclusão que eu tenha deixado passar façam uso da caixa de comentários ali em baixo.

  • Se o Benfica clube, teve de pedir um empréstimo à Benfica Estádio (sua participada) porque motivo as receitas do Museu não ficam no Benfica clube para ajudar a suportar os gastos com esse empréstimo? Assim fica o Benfica clube com o encargo do empréstimo, mas a Benfica Estádio com as receitas que daí advém.
  • Se o R&C tem em conta as empresas participadas, porque não pode ter o orçamento em conta também essas mesmas empresas? É impossível projectar o ano nessas empresas? Não pode ser feita uma estimativa ou levantamento do que poderão custar essas empresas ao Benfica clube?

O pior veio mesmo depois, quando após uma votação em que entraram alguns sócios (provenientes das casas do Benfica) apenas e só presentes na votação, os animos se exaltaram, com muitos sócios da Bancada a protestaram o tratamento discriminatório da mesa da AG. por duas vezes o presidente da mesma se esqueceu de contar votos contra...
Nazaré, ao bom estilo ditactorial, ameaçou 3 vezes em 10 segundos, acabar com a reunião magna. E à terceira acabou mesmo com a AG, deixando muitos sócios incrédulos. Foi impossível demover o presidente da mesa da AG da sua decisão, mesmo com os vários apelos de sócios que já se tinham inscrito para falar. Verdadeiramente anti-democrático. As suas palavras 10 minutos antes ecoaram então na mente de todos, tendo inclusivamente alguns sócios dito que acabava de demonstrar bem o que era uma ditadura.
O caso agravou-se ainda mais, quando Paulo Parreira, conhecido sócio benfiquista, se dirigiu ao palanque e apelou a todos que voltassem aos seus lugares pois ele ainda iria falar (mesmo que com a AG acabada parece-me). Nessa altura a música atingiu niveis ensurdecedores, de modo a não deixar que o sócio fosse ouvido. É inacreditável uma coisa destas. Simplesmente um escarro na nossa gloriosa história democrática.

E assim levei mais um murro no estômago, numa época em que não foram poucos. Mas foi este o que me doeu mais e que mais me marcou e marcará. O dia em que vi o meu clube democrático em ditadura ser ditactorial em democracia.

Para o final deixo algumas notas que têm uma relevância muito importante.
  1. Luis Filipe Vieira, o presidente do Benfica e dos sócios, não se dignou a falar com os mesmos. Entrou mudo e saiu calado de uma AG em que era sua obrigação ser o primeiro a falar aos sócios. Nem que fosse para dizer boa noite e agradecer a presença naquele dia.
  2. José Eduardo Moniz faltou à AG. Ninguém sabe porque motivo. Não foi esclarecido porquê. Os rumores de que estará de saída do clube e de volta à TVI começam a ganhar força.
  3. Luis Nazaré portou-se com um ditador. O presidente da mesa da AG deve ser a voz dos sócios e não um instrumento da direcção do clube.
  4. O frete que apenas Nuno Gaioso não demonstrou (o meu apreço por ele e por se mostrar disponível) estendeu-se a todos. Realmente estarmos ali ou no cinema ou nos copos era a mesma coisa.
Para finalizar que o texto já vai bastante longo, quem apelidou bem este nosso presidente da mesa da AG, foi o actual presidente do clube, quando o apelidou de papagaio.

Até quando Benfica? Até quando?